sábado, setembro 09, 2006

Jantar de Outono
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Sansara



A nossa amiga Leonor do Ex Improviso, sugeriu que eu fizesse um post sobre as Reincarnações, e como às senhoras não se deve recusar nada, aqui está resposta ao sugerido.
A abordagem do assunto não é fácil, pelo que vou procurar ser o mais sucinto possível, sem contudo, deixar de apresentar algumas explicações que me parecem fundamentais.

O Budismo, ou Dharma, como é conhecido pelos seus praticantes, é uma filosofia que não contempla a existência de um Deus-Criador, e onde a alma individual consagrada nas religiões, não passa de uma Interacção Universal com o Cosmo.
Individualizada dele pelo desejo, a vida é cheia de sofrimento (Dukkha), que só sua eliminação a pode levar de regresso ao estado de completa iluminação espiritual, que chama Nirvana, de onde tu devém, (lembramos Aristóteles), e ao qual tudo retorna quando liberta da Sansara.
Segundo esta filosofia oriental, para atingir o Nirvana é preciso seguir a doutrina das Quatro Nobres Verdades e da Senda Óctupla.
Primeira: a dor é universal.
Segunda: ela é causada pelos desejos que alimentam a nossa vida tecida de ilusões.
Terceiro: suprimindo esses desejos, eliminar-se-á a dor.
Quarta: seremos nisto ajudados pela meditação e pela piedade para com todos os seres.
A Senda Óctupla consiste no abandono dos prazeres. Esta abrange compreensão correcta, pensamento correcto, palavra correcta, acção correcta, modo de vida correcto, esforço correcto, atenção correcta e concentração correcta.
Para adquirir este conhecimento são necessárias diversas vidas, diversas reincarnações, a que chama Sansara, e cada reincarnação é influenciada pelo bem e pelo mal, praticado nas vidas anteriores. A este sistema de causa/efeito, chama-se Karma.
O que fizemos nas vidas anteriores define como será a posterior, o que implica avanços e retrocessos do tipo da nossa existência. Numa podemos ser humanos e na sequente um animal, ou vice versa, ou ainda conhecermos a condição vegetal.
Terão de haver tantas reincarnações, quantas as necessárias para expurgar o desejo e adquirir o conhecimento absoluto (Bodhi), suprimindo o eu e a ilusão do universo, cessando assim o ciclo do renascimento e atingir a unidade com o Cosmo.
Buda dizia: a nada ames, a nada odeies, nada desejes, afim de que soprando sobre o mundo, tu o possas extinguir.

Do estudo que fiz do Budismo, perfilhei três ideias fundamentais: a não existência de um Deus-Criador, fazer parte integrante do Cosmos e a necessidade de eliminarmos o nosso egoísmo. Tais ideias, já percepcionadas quando estudei os filósofos gregos, tornaram-se mais evidentes com os ensinamentos de Siddharta Gautama.

Do nada viemos e ao nada voltamos, eu acrescento: não somos nada, não vivemos mais que a ilusão de o não ser, daí, os diversos renascimentos, até que a ilusão se desvaneça para obtermos o “esquecimento” da individualidade e passarmos a ser o Todo.

15 Comments:

Blogger Leonoretta said...

em primeiro lugar: obrigado augusto pelo teu empenho. o modo como explicaste o tema segue a linha dos teus artigos anteirores: o simples com muito cuidado.
percebi. creio. é dificil esta filosofia do renunciamento. mas muito interessante.
(no outro dia passei pelos pasteis de belem, mas nao comi, ia de camioneta)
abraço da leonoreta

4:28 da tarde  
Blogger A Sonhadora said...

É....mesmo assim, Augusto...poeta canta e torna a cantar o amor....porque no fundo é eterno apaixonado há procura do INFINITO...
Abraço da sonhadora
muito lindo este SENHOR BUDA

2:50 da tarde  
Blogger lazuli said...

confesso uue não entendi completamente. Mas amanhã voltarei de novo, pois costumo perceber bem o que escreves. Beijos

3:03 da manhã  
Blogger sabr said...

O jantar não sei, o post está, como de costume, magnífico. Bom dia Augusto, abraço.

9:34 da manhã  
Blogger Ant said...

uma questão sobre a qual me debruço há muito tempo. Ainda não me decidi...
Abraço

10:40 da manhã  
Blogger susana said...

Tenho grande afinidade com a filosofia budista, já há muitos anos. No entanto, tenho algumas dúvidas em relação ao "nada ser" e ao renunciamento. Será isso realmente viver?

2:24 da tarde  
Blogger Carmem L Vilanova said...

O post está esplendido, como sempre, e este em especial, como boa budista, agrada-me muitíssimo e eis que falastes muito bem e com bastante cuidado deste tema tao complexo... confesso que acho que teria sido mais fácil explicá-lo sob o ponto de vista Kardeckiano (ou Kardecista, como queira), mas eu, particularmente gosto deste... Obrigada por dar-nos este presente!
Muitos beijos, flores e muitos sorrisos para ti, querido amigo!

8:47 da tarde  
Blogger Sofocleto said...

Por falar em jantares:

Num humor imbatível, Jon Stewart do Daily Show mostra-nos o vice-presidente americano Cheney a qualificar a prisão de Guantanamo quase como um paraíso na terra para terroristas. Sem setenta virgens mas com dois deliciosos tipos de fruta.

Vídeo - 4:43m

8:36 da tarde  
Blogger Sofocleto said...

Augusto, comentaste assim no meu blogue em relação ao Pacheco Pereira:

«Que poderiamos esperar de um jornalista de um jornal de direita?
Acho que ainda foi muito comedido, e não argumentar como ouvi na televisão, considerar os protecturados europeus no Médio Oriente, como justificáveis, pois eles (os arabes) também tinham tido um protecturado na Europa, mais concretamende em Cordova. Esta afirmação não é o princípio do fim, mas o fim do princípio, o princípio que ofende a nossa inteligência.»

Absolutamente de acordo. Como é que gajo inteligente, que o é, pode vir com um argumento tão idiota se não fosse pago para isso. O Pacheco não está a insultar a nossa inteligência, está a insultar a dele.

9:42 da tarde  
Blogger Micas said...

Gostei imenso desta explicação sobre um tema pelo qual há muito me interesso. Grata pela partilha.

10:11 da tarde  
Blogger sabr said...

Pois, mas...um abraço Augusto.

10:43 da manhã  
Blogger Lola said...

Augusto
Passei por aqui quase por acaso...
Mas foi um acaso bom..
Este post é interessantíssimo, para mim.
Fiquei com vontade de conhecer melhor o Budismo.
Já cheguei ao conhecimento de que não existe um criador.
Em relação ao amor, penso que amar todos igualmente, amar sempre o mundo,a vida as pessoas que nos rodeiam e faze-lo espontaneamente
(É sempre mais fácil gostar dos outros que odiá-los),
não é muito diferente de nos despojarmos dos sentimentos.
O egoismo,admito que tenho momentos...

Gostei de te conhecer

Lola

12:59 da tarde  
Blogger Klatuu o embuçado said...

Se usar o conceito de «deus-criador» cristão... pode afirmar o que afirma... mas na verdade a Divindade budista é criadora... talvez não no sentido ex nihilo... mas ordenou o mundo... o que vai dar no mesmo... porque ordenar é criar esta ordem do mundo, mesmo que o mundo pré-exista eternamente à alma.

2:29 da tarde  
Blogger a rasar o ceu said...

que bom regressar. aqui.


beijos. de masai. volto amanhã. com todo o tempo do mundo...

beijos beijos beijos.


e tb à Rapariga....:)

7:09 da tarde  
Blogger martelo said...

e lamentavelmente se calhar tanta sabedoria nalguns se esfuma... valha ao menos o tempo que ela dura.

11:18 da tarde  

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