quarta-feira, outubro 26, 2005

Termópilas

Em 480 a.C. a Grécia encontrava-se numa das fases mais crítica da sua história, o Império Persa ameaçava conquistá-la e submeter toda a Helade. A derrota persa em Maratona tinha de ser vingada.
O mundo grego sempre foi além de genial, o mundo da traição, da intriga e da inveja, que se reflectia entre as cidades estados. Argo não quis participar na luta pelo ódio que tinha aos Espartanos, Tebas sentia um prazer maldoso em ver Atenas cair, os Tessálicos também traíram a causa comum e os próprios sacerdotes de Delfos vaticinavam um política derrotista. Só os Atenienses e os Espartanos aceitaram, num esforço comum salvar a Helade.
O exército persa teria de atravessar o Helesponto percorrer a Trácia, a Macedónia e a Tessália para chegar à Grécia Central. Os Gregos que tinham necessidade de os retardar para darem tempo de manobra à sua frota, escolheram o estreito das Termópilas, situado entre a Tessália e a Fócida para a batalha. A passagem nesse tempo era tão estreita entre o mar e arriba que nela não podiam cruzar-se dois carros.
Foi aí que Leónidas, rei de Esparta tomou posição com cerca de 5.000 hoplitas, entre os quais 300 espartanos, escolhidos entre os melhores. O estreito propriamente dito foi ocupado pelos espartanos, enquanto o resto das suas forças ficavam na retaguarda.
Quando Xerxes, rei dos persas, chegou ao local enviou um mensageiro a Leónidas, intimando-o a entregar as armas. O espartano respondeu simplesmente: “Vem buscá-las”. Quando disseram aos espartanos que os Persas eram tão numerosos que podia tapar o Sol com as suas flechas, um dos soldados respondeu: “Tanto melhor, poderemos combater à sombra”. Xerxes esperou quatro dias, findos os quais deu inicio ao combate.
O exército persa era composto por 150.000 homens fortemente armados, que em terreno aberto seria impossível aos gregos sustê-los, mas a posição em que se encontravam permitia-lhes combater numa frente relativamente pequena. Xerxes enviou então os Medos contra eles, com ordens de trazerem vivos os gregos à sua presença.
Os Medos lançaram-se em vagas sucessivas sobre os Gregos mas eram sucessivamente derrotados. Os gregos com as suas grandes lanças facilmente derrubavam os Medos. A situação atingiu tal ponto que de insustentável parecia querer tornar-se em vitória.
Xerxes desesperado com a resistência grega, mandou recuar os Medos e ordenou que o ataque fosse feito pelos Imortais. Os Imortais era um corpo de elite composto por dez mil soldados. Chamavam-se imortais, por as baixas serem imediatamente repostas permanecendo constante o número de 10.000.
Mas quando entraram em contacto com os gregos, não tiveram melhor sorte que os Medos, as lanças dos gregos continuavam a ser soberanas. O combate durou dois dias com grande desespero dos Persas que naquele corredor estreito não podiam empregar a sua cavalaria.
Se com os gregos aprendemos muitas coisas boas também com eles aprendemos que a traição é sempre uma possibilidade a considerar.
Xerxes no meio do seu desespero conseguiu encontrar um traidor que se predispôs a conduzir os Persas por uma vereda que contornava as Termópilas. O seu nome ficou imortalizado, não pelas boas acções, mas como o símbolo do desprezo e da ignomínia, Efialtes.
Logo que a noite caiu, os 10.000 imortais puseram-se em marcha pelo itinerário secreto. De madrugada, chegaram a uma garganta defendida por 1.000 homens originários da Fócida. Garganta escarpada de fácil defesa, mas os Fócios não cumpriram o seu dever e fugiram.
A sua fuga, condenava à morte os defensores das Termópilas, agora os Persas poderiam atacar pela retaguarda. Os Helenos reuniram então um conselho de guerra. Uns queriam ficar no seu posto, mas outros preferiam evitar uma carnificina inútil. Por fim Leónidas mandou embora todos os queriam partir. Ele próprio ficou com os seus Espartanos.
A luta foi de uma ferocidade inaudita, os Persas perderam inúmeros homens antes de forçarem a passagem. Quando Leónidas caiu morto na batalha, foi rodeado pelos espartanos que restavam, que defenderam o seu corpo até uma onda de guerreiros persas os apagar do campo de batalha.
Pela sua coragem sobre-humana, os Espartanos conseguiram proteger a fuga da maior parte dos companheiros de armas. Atenas e a Ática foram evacuadas. Temístocles conseguiu zarpar com a frota grega para Salamina, onde viria a obter uma vitória final e decisiva contra os Persas, acabando definitivamente com a sua ameaça.
Termópilas, onde a valentia e a abnegação transformaram a derrota numa tremenda vitória grega.

20 Comments:

Blogger Å®t_Øf_£övë said...

Augusto,
Gostava que passasses lá no "ATORDOADAS" para "comeres" uma fatia de bolo pelo 1º aniversário.
Abraço.

1:56 da manhã  
Blogger Carmem L Vilanova said...

Augusto amigo!
Passei para deixar-te o meu sorriso, beijos e flores para uma linda semana! :o)

4:20 da manhã  
Blogger susana said...

Sempre me fascinaram as histórias gregas...
Já vi as fotografias do Blognócio. Muito bem! Vamos ver se para o próximo estou disponível.

4:21 da tarde  
Blogger Leonoretta said...

ola augusto
ainda nao vi as fotos do jantar mas ainda bem que me avisaste. vou ja de seguida.

epoca terrivel de guerras esta dos gregos mas genial na desmistificação do mito... porque eles buscavam o conhecimento sem a tecnologia...questionando...

abraço da leonor

8:56 da tarde  
Blogger Carlos Barros said...

é dificil falar ou comentar...hist´ria..grega ainda por cima.. grego ando eu com as histórias dos nossos politicos.
abraço.

9:14 da tarde  
Blogger lazuli said...

já venho ler-te, Augusto. Com mais calma. As fotos ainda não vi, vou agora..

11:58 da tarde  
Blogger Alexandre Narciso said...

Mais um excelente "relato" historico.
Abraço

1:18 da tarde  
Blogger rajodoas said...

Não é por acaso que sempre ouvi que dos fracos não reza a história.Assim se provou que um grande número de pessoas não fez a força mas a inteligência de alguns poucos foi suficiente para os vencer. Com um abraço do Raul

7:14 da tarde  
Blogger stillforty said...

Eu leio, mas não comento. Já sabes porquê.

Não percebo nada de História, assim vou aprendendo umas coisas;)

7:36 da tarde  
Blogger Peter said...

Sou um historiador degenerado, embrenhado nos porquês do Universo, desde o infinitamente pequeno até ao Cosmos.

12:04 da manhã  
Blogger Estrela do mar said...

...venho-te convidar para apareceres na inauguração do meu outro blog...


www.espelhodealma.blogspot.com


Beijinhos e tem um bfs.

8:08 da tarde  
Blogger Paula Raposo said...

Eu, História??! Percebo muito pouco...mas vou aprendendo, e bem falta me faz! Beijinhos

11:22 da tarde  
Blogger armando said...

Bela descrição desta batalha épica.
Mas cuidado com a exaltação desmedida da valentia e determinação dos Espartanos.
A sua sociedade era mais totalitária e austera que o regime nazi.
Passou recentemente uma narrativa desta batalha no canal história.

10:18 da manhã  
Blogger Albatroz2 said...

Grande post.
Gostei mto de o ler.

9:38 da manhã  
Blogger Zecatelhado said...

Excelente, amigão, excelente. Uma visão correta e bem descrita do acontecimento.

Aquele abração do
Zecatelhado

10:16 da tarde  
Blogger Noel Santa Rosa said...

Excelente este teu post, aliás como todos os outros!
Saio daqui sempre mais rica e História era e é um dos meus temas preferidos tal como a Velha Grécia.
Será porque o meu verdadeiro nome tem algo a ver com Leónidas?

Um grande amigo de muitos anos é assim que me chama: Leónidas...

Eu não gostava nada, pensava que ele brincava com o meu nome que vem no BI, mas agora começo a compreender o que ele queria dizer com aquele nome fraterno que me colocou à mais de 13 anos.

Estóico, valentia até à morte e rodeado pelos amigos!

Obrigada Augusto por me teres dado esta luz!
Beijo muito fraterno.

12:44 da manhã  
Blogger oasis dossonhos said...

Estimado Augusto:
É sempre bom visitar-te e hoje sou eu que me antecipo desejando-te um bom feriado
Abraço
Luís

10:45 da tarde  
Blogger Friedrich said...

A última vez que me lembro da investida destemida dos Gregos foi quando no ano 2004dC. invadiram Lusitânia  eufórica  de bandeiras hasteadas ao vento, apregoando vitórias antecipadas, arrasando as quinas numa derrota antecipada. Repetindo com a mesma força em direcção à nossa desmoralização na última derradeira esperança desta pequena nação, as bandeiras debutaram com as lágrimas do povo cabisbaixo pela desilusão,"onde a valentia e a abnegação transformaram a derrota numa tremenda vitória grega". . O sol dos gregos apagou-se nas eliminatórias das batalhas que os levariam ao mundial de 2006dc. “Tanto melhor, poderemos combater à sombra”. Não fosse o seu sol pregar-nos novamente outro escaldão!

Foi apenas uma má recordação, que me trouxe a metáfora, que em nada terá a ver com a riqueza deste texto.

Augusto, bom feriado para ti e família , abraços

12:57 da manhã  
Blogger hfm said...

Belo texto! gosto destas histórias da História.

11:47 da manhã  
Blogger martelo said...

A grandeza dos Gregos contrastou realmente com os sentimentos traiçoeiros...
abç

12:22 da tarde  

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