quinta-feira, outubro 13, 2005

Os Neanderthais


Entre os seres que compõem a filogenia dos ancestrais humanos, o Homo erectus, merece um lugar de destaque. Proveniente das populações Homo habilis, a primeira espécie a construir ferramentas, não só tornou estas mais sofisticadas, como foi o primeiro ser a dominar o fogo.
Existiu há cerca de 1,6 milhões de anos em África, de onde migrou para a Europa e Ásia, espalhando-se também por toda a África. É o primeiro emigrante da nossa existência. É ele que irá dar origem a todas as raças existentes. Viajou durante um milhão de anos, adaptando-se à variedade de ambientes do mundo descoberto.
O Homo erectus apresentava um crânio com grossas paredes e um volume cerebral entre 900 e 1200 cm3, representado um aumento de 50% em relação ao Homo habilis, 500.000 mais antigo. Por cima dos olhos há uma grande e proeminente sobrancelha enrugada. O dimorfismo sexual deixou de ser tão acentuado, rondando os 80%. Há evidências de o aparecimento das primeiras estruturas sociais.
Durante a sua evolução Homo erectus subdividiu-se, conforme o estágio evolutivo alcançado, em várias espécies paralelas, sendo a do Homo heidelbergensis, nome dado por o seu fóssil ter sido encontrado perto de Haidelberg, na Alemanha que povoará inicialmente a Europa , e dará por sua vez, origem ao Homo Neanderthal.
Se a Natureza prega partidas, uma das suas maiores foi pregada ao Homem de Neandertal que tão perto ficou de ser um Homo sapien sapiens. Viveu na Europa durante cerca de 300.000 anos, suportando as condições climatéricas horríveis das glaciações. Foi um exímio caçador, é o primeiro a enterrar os seus mortos, o que denota já o princípio da piedade e também o primeiro a apresentar, ainda que rudimentar, a primeira forma de linguagem.
Porquê lhe foram negados pela Natureza os genes que o tornariam senhor da Terra? A esta pergunta, os cientistas ainda não encontraram a resposta.
Tinham os corpos atarracados para diminuírem as perdas de calor, mas de condição física muito robusta, a sua altura média oscilava entre 1,50 e 1,70 metro. O rosto em forma de “focinho” era para evitar ulcerações pelo frio, as narinas largas para facilitar a respiração, no meio frigido em que vivia. Já protegia o corpo com um vestuário rudimentar, formado por peles de animais, não cosidas, pois ainda não tinha sido descoberta a agulha. Se encontrássemos hoje em dia um Neandertal vestido na rua passaria despercebido como se um de nós se tratasse.
Viviam em pequenos grupos sociais, e usavam o fogo para se aquecerem. Em algumas cavernas o chão era constituído por espessas camadas de cinzas comprimidas. As suas lareiras eram simples parecendo-se mais com fogueiras. Também construíam abrigos com estruturas de madeira ou ossos cobertas com peles de animais
Viviam exclusivamente da caça de animais de grande porte, o que os levou a apurar o sentido de entreajuda e das estratégias usadas. Eles tinham de competir pela comida com outros predadores como grandes lobos, hienas etc. no inóspito ambiente da Idade do Gelo.
É com os Neanderthais que os humanos começam e enterrar os seus mortos, colocando-os na posição fetal acompanhados com as ferramentas e comida, escavando sepulturas e decorando-as com flores Estas práticas obviamente sugerem complexas crenças e rituais. Tratavam dos doentes e dos fracos. Evidências encontradas em alguns fósseis, mostram fracturas ósseas em indivíduos que sem ajuda não teriam podido sobreviver.
Eles tiveram, claramente uma vida muito difícil. Para os que chegassem à idade adulta a esperança média de vida era de 30 anos
A extinção dos Neandertais é algo que ainda não está completamente explicado. As várias teorias explicativas do desaparecimento destes homens baseiam-se na coexistência. A sua substituição por outra população, tendo em conta o tempo que demorou o seu desenvolvimento, pode ser considerado “abrupta”. É possível que o Homo sapiens sapiens, proveniente do Médio Oriente, tenha esmagado os Heandertais com as suas técnicas inovadoras. Mas disto não há provas e não foram encontrados vestígios de genocídio.
Há cientistas que defendem a hipótese da fusão genética, ou seja, para eles houve um inter cruzamento entre Homo sapiens sapiens e Neandertais e que os genes neandertalenses ainda se encontrem nos europeus de hoje.
Outros são da opinião que os Neandertais ter-se-iam isolado e praticado uma forte endogomia, levando ao enfraquecimento do grupo e consequente degeneração da espécie.
Outros ainda, apologistas da emigração, são da opinião de que parte deles teriam alcançado a Sibéria e aí se teriam perpetuado nas populações primitivas existentes.
O arrefecimento da temperatura pode ter sido um factor importante que levou ao refúgio e isolamento no Sul da Espanha e sudoeste português, onde foram encontrados os seus mais recentes vestígios.
Seja qual tenha sido o seu destino não invalida a sua falta de aptidão para ser um Homo sapiens sapiens. Ou desapareceram completamente, como opinam alguns cientistas, ou sobreviveram na mescinelização com o Homo sapiens sapiens. Talvez esta última hipótese justifique tão grandes diferenças intelectuais, por vezes existentes entre os homens modernos, mesmo da mesma raça.

16 Comments:

Blogger Luis Silva said...

Eles vêm aí...
brevemente "a revolta dos pinguins". Não perca!!!

11:31 da tarde  
Blogger armando said...

Augusto, este tema ainda vai faze correr muita tinta. Não existem ainda provas suficientes para explicar o que aconteceu ao homem de Neanderthal, mas tudo indica que foi mesmo extinto pelo Sapiens.

Ca para mim ainda existem alguns descendentes vivos, lá pros lados de S. Bento...

11:46 da tarde  
Blogger susana said...

Eu estou com o Armando. Os Neathertais sobreviveram e vivem entre nós. Não só em S. Bento. Pessoalmente, já conheci alguns. :)

9:30 da manhã  
Blogger Menina_marota said...

Vim aqui numa corrida, dizer-te como lamento, não poder comparecer ao Jantar. Guardei até ao último momento, na esperança que pudesse haver uma "aberta" e conseguisse fugir do Porto para ir aí. Mas realmente, não posso. Estive doente e, a família não me deixa fazer uma viagem tão longa.
Espero que, para o próximo já possa estar disponível

Deixo um abraço a todos ;)

(Mais logo passo para ler o texto, que confesso, com a pressa ainda não li)

;)

12:38 da tarde  
Blogger sal said...

Excelente artigo!
Os mormons com suas recolhas de informação genética o dia que chegarem até os Neathertais...há de ser giro!!! Embora ainda exista quem acredite que o Amstrong não pus os pés na Lua :)

Abraço

1:40 da tarde  
Blogger Sofocleto said...

o Homo erectus, merece um lugar de destaque? A fazer fé nas amigas da minha mulher, claro que sim! Segundo elas, sob este aspecto, a raça humana está a degenerar. Eu não sinto, ainda, essea degenerescência, mas daqui a oitenta anos, sabe-se lá?

6:40 da tarde  
Blogger rajodoas said...

Estou de acordo com o amigo Sofocleto
o Homo erectus está com sintomas de degenerescência cada vez mais acentuada. Não é por acaso que estudos revelam uma elevada taxa de individuos
com distúrbios sexuais. Só espero que
a sua amplitude não me abranja nos tempos mais próximos. Com um abraço do Raul

11:34 da tarde  
Blogger lazuli said...

o que aprendo aqui, e maiss..é que se aprende e relembra com gosto!

1:06 da manhã  
Blogger batista filho said...

Deleitava-me com esse texto até chegar “... Ou desapareceram completamente, como opinam alguns cientistas, ou sobreviveram na mescinelização com o Homo sapiens sapiens. Talvez esta última hipótese justifique tão grandes diferenças intelectuais, por vezes existentes entre os homens modernos, mesmo da mesma raça.” Essa última análise parece-me não só desprovida de base científica, apesar de muito buscada por quem defende uma raça “pura”. É uma pena que o fechamento desse artigo encerre tal tipo de pensamento. Não foi à toa que Einstein, ao chegar aos EUA, no escritório de imigração, ao preencher um formulário deparou-se com o item “raça”. Não hesitou: escreveu simplesmente – humana. É isso. Deixo pois o meu abraço fraterno.

1:30 da tarde  
Blogger Zecatelhado said...

Foi excelente o reencontro contigo companheiro.

Aquele abração
Zecatelhado

2:13 da tarde  
Blogger perplexo said...

Gostei muito de conversar contigo. Abraço!

11:09 da tarde  
Blogger Noel Santa Rosa said...

Ai eu já vi tantos a andar por essas ruas de Lisboa que nem imaginas...
Gostei do jantar, gostei das conversas e tenho a agradecer-te a boleia e a chatisse de teres de fazer mais uns Km's àquelas horas da madrugada! Logo tu que me disseste ser mais do tipo diurno!!!

Grande abraço :-)

12:42 da manhã  
Blogger Um Olhar Sobre... said...

Olá Augusto,

Já de regresso ao norte vim cá deixar-te um beijinho e dizer-te que adorei rever-te.

Ah e ja temos foto actualizada e tudo, espero mais :)

Lina

9:36 da manhã  
Blogger Carlos Barros said...

há as chamadas forças interiores, aquelas personagens que julgam que para mudar o mundo basta pensar muito numa coisa e ja está... esses são os verdadeiros os genuinos politicos ou seja os neanderthais tais como...

3:54 da tarde  
Blogger Passaro Azul said...

Que belo texto, meu amigo!
Fica-se assim como que "colada" a palavras tão bem escritas.
Obrigada pela visita à minha ilha encantada.
Foi muito bom conhecê-lo bem como à esposa. São um casal fantástico.
Realmente, "nada acontece ao acaso".
Quanto ao jantar convivio, foi óptimo e mesmo sem falarmos muito, convivemos sim.
Tudo bem!
Um abraço e um beijo à Stillforty.
Até sempre.

11:00 da tarde  
Blogger OrCa said...

Caro amigo, foi verdadeiramente um prazer conversar contigo, em troca de impressões aqui e ali próximas do arrebatamento, o que sempre nos ilustra quanto à arte de saborear a vida que cada um guarda em si para partilhar com os demais.
Do teu muito interessante artigo - e sendo eu um mero curioso na matéria - sempre te digo que tendo a alinhar no grupo daqueles que apoiam a fusão genética.
As vagas "invasoras" do homo sapiens rapidamente terão prevalecido (geneticamente falando)sobre as dispersas e pouco numerosas comunidades de Neanderthais.
Se assim foi, interessa, por outro lado, considerar que a integração genética "vive" em nós. Em todos, um pouco, como verdadeira herança genética, sempre palpitante e capaz de fazer valer os seus "direitos".
Já não é, por outro lado, muito plausível que, de vez em quando, tipo pipoca de gene perdido, nasça um neanderthalzinho, de cabo a rabo, cruzando connosco pelas ruas da Baixa... ainda que a realidade - como alguns já referiram - nos leve a pensar, em caricatura mais que irónica, que eles "andem" aí!

Um grande abraço... e lá vos espero.

11:06 da tarde  

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