quarta-feira, julho 13, 2005

A Verdade

No próximo dia 16 o Fernando do Fraternidade, vai promover um jantar de confraternização para celebrar o primeiro aniversário do seu blog. Com a estima que lhe tenho como homem e como lutador pela Democracia, e nesta data importante para ele, quero homenageá-lo com o texto que se segue, que lhe é inteiramente dedicado. Parabéns.

Ou estamos todos a ser enganados, o que não seria a primeira vez, ou o país está à beira de uma hecatombe.
Para lá das fortes medidas de austeridade implementadas pelo governo, que segundo dizem os especialistas, ainda não são suficientes, ouvimos o Presidente da República dizer que esta é a nossa última oportunidade, o Ministro da Defesa no seu discurso no Dia das Forças Armadas, afirmar em alto e bom som que o país estava em risco de perder a sua dependência económica, o Governador do Banco de Portugal e todas as destacadas figuras do sector económico/financeiro a dizerem que o país conforme está é insustentável e assim por diante até ao vaticínio da falência do Estado.
Isto é a verdade deles, sendo contudo a verdade, a verdadeira verdade, a incómoda verdade, a verdade diferente da que nos querem vender, a verdade acusatória dos governos, dos grupos de interesses e dos manipuladores dos interesses da Nação.
Mas existe uma verdade, verdadeira, incontestada, na qual podemos acreditar, pois é a nossa verdade e não a deles, a constatação do aumento imparável do desemprego, que a continuar neste ritmo atingirá num futuro próximo números completamente incomportáveis para um país de tão fracos recursos como o nosso é na verdade.
Assistimos ao êxodo dos industriais estrangeiros, grandes e pequenos, que no seu conjunto tinham um peso enorme no nosso tecido produtivo, que só agora temos a consciência disso, enquanto o governo diz que nada pode fazer, para além de verificar se cumpriram com os compromissos fiscais, o que é capaz de não ser verdade, e aceitar como um fatalismo a verdade do desemprego provocado.
Zangadas as comadres descobrem-se as verdades, e as verdades são que o país não é igual para todos. Enquanto uns trabalham de verdade, e a bem da verdade ganham míseros salários, e têm uma educação e uma medicina que nada tem de verdade, outros ganham grandes ordenados de verdade e até muitos ordenados, subvenções vitalícias e reformas chorudas ao mesmo tempo, são também uma verdade. Como é possível não sei, mas é uma verdade, como é verdade também que o dinheiro não pode chegar para tudo.
O encapotar da verdade verdadeira, pois existe para isso um interesse de verdade, foi para não chegarmos aos verdadeiros culpados da verdade, os que ao longo das últimas décadas, pela incompetência e ganância, provocaram a nossa verdade.
Criaram um clima fictício de progresso e bem estar que nunca correspondeu à verdade, vivíamos uma falsa verdade, que só agora se verifica quanto estaria longe da verdadeira verdade.
Quando entrarmos para a União Europeia éramos um país pobre e atrasado de verdade, estávamos no grupo dos quatro mais débeis, e foi uma verdade que como os outros mais desfavorecidos, recebemos milhões e milhões para ajudar o nosso desenvolvimento de verdade. Mas a verdade é que dos quatro fomos o único que criou a sua própria verdade, a verdade de sermos, agora, o mais pobre desse grupo a que aderimos.
É na verdade preciso ter uma grande lata para dizer que precisamos de uma formação profissional de verdade e uma produtividade verdadeira, quando na verdade durante anos entrou tanto dinheiro para essa formação que não foi feita. O que queremos saber, na verdade, é para onde foi esse dinheiro todo que além da formação deveria ter sido usado para desenvolver uma indústria de verdade. Mas a verdade ao contrário da mentira, tem a perna muito comprida o que na verdade dificulta saber o que aconteceu de verdade.
Foi um fartar vilanagem de verdade, para o amigo, para o amigo do amigo e do amigo deste, e os fundos para a nossa verdade, não passaram da verdade deles.
Privilegiou-se o capital estrangeiro como fonte da verdade do nosso desenvolvimento, enquanto os nossos empresários, que se diziam de verdade, abandonavam a indústria para investir noutras áreas que na verdade nada tinham a haver com a produção, na mira exclusivamente da sua egoísta verdade. O resultado está à vista, a nossa presente verdade.
Mas como a verdade ainda está para ser verdade, e ninguém ainda tema consciência da verdade ou não se interessa pela verdade que não seja a sua verdade, os sindicatos, os polícias, as forças armadas, os enfermeiros, os médicos, os professores e todos os grupos sociais, só pensam na sua verdade mesmo que essa verdade seja impossível na verdadeira verdade.

Quero informar todos os que lerem este texto, que vai ter uma segunda parte, que publicarei mais tarde, onde procurarei, do meu ponto de vista, ficcionar uma possível realidade, que até ao momento ainda não vi ser abordada. Este texto é publicado simultaneamente aqui Editorial.

16 Comments:

Blogger Fernando B. said...

Estimado Amigo,

Muito obrigado por me dedicares este texto pleno de amargas Verdades.

Como não podia deixar de ser, subscrevo-o na íntegra e estarei atento à sua segunda parte.

Sinto-me honrado em ter um Amigo como Tu.

Um grande e Fraterno Abraço,

12:17 da manhã  
Blogger trintapermanente said...

este post lembra.me a conversa no terraço da nossa amiga do estoril, ha mais ou menos 2 semanas :-) so tenho a dizer o seguinte. vivemos numa sociedade de gestores, politicos e media. e sabes bem que qq um deles são autenticos fazedores de verdades. i.e ha os grandes grupos economicos, sugadores de riqueza, verdade? ha os politicos que fazem o jogo da sua facção, verdade? e depois ha os media que divulgam o cenario, verdade? e vivemos num país da verdade que querem que acreditemos. não ha hipotese! tenho uma teoria muito minha que é a seguinte; antes aos escravos, davam casa, comida e roupa lavada. a nós não nos dão nada disso. pagam-nos um ordenado que não chega para suprir as necessidades basicas. - tomem lá uma recompensa pelo vosso trabalho, pensem que são livres. mas depois devolvam o dinheirinho na vossa vida quotidiana. e se possivel endividem.se.
o que me faz crer que vivemos abaixo da condição de escravatura. P.S- ha por aí algum senhor feudal que me queira dar casa, comida e roupa lavada?
P.P.S- quanto ao fraterno amigo Fernando, um grande beijinho para ele!

7:18 da manhã  
Blogger Carmem L Vilanova said...

Gostava de poder estar lá com todos os que ali comparecerao... nao me será possível... estarei em pensamento e coraçao e virei correndo, nos seguintes dias, a ver se há alguma foto para que eu possa compartilhar desde minha distância... :)
Gostei do teu texto!
Deixo-te um sorriso e uma flor! :)

8:27 da tarde  
Blogger Menina_marota said...

Li com muita atenção este texto. Que posso dizer, que outros muitos mais sábios e eruditos que eu, já não tenham dito?

Não vou dizer, como muita gente, que para se descartar, diz que tem vergonha deste País.

Um País é aquilo que os Homens fazem dele!

Tenho vergonha, talvez... por ter contribuído, ao longo dos anos, que a incompetência tenha tomado conta dos Governos do nosso País.

Tenho vergonha de, quando muitos tentam trabalhar por uma causa... outros a destroem...

Mais poderia dizer, mas eu não sou política, mas tenho a minha moral e os meus princípios!

E, para finalizar... eu vou estar no jantar, com muita alegria a dar um abraço ao fernando!

;)

1:22 da tarde  
Blogger Adryka said...

Parabens para todos.
Beijinhos

5:33 da tarde  
Blogger Estrela do mar said...

...cada frase tua, uma verdade...e é triste saber que o estado da nação é esta...

Espero que se tenham divertido muito ontem e já agora um beijo ao Fernando pelo blog dele ter feito um ano.

Tem uma boa semana.

Bjos.

9:44 da tarde  
Blogger Friedrich said...

A única verdade verdadeira que conheço de verdade desde há trinta anos a esta parte... É, a de que fomos governados por uma cambada de incompetentes e atrasados mentais que não viram outra coisa senão a maneira mais fácil de enganar o povo com a verdade de que o povo é ignorante e analfabeto, desmotivado e não sentindo qualquer espécie de vontade de um povo desgovernado a inverter a verdade deles... Mas vivemos numa verdadeira liberdade apesar de sentirmos uma fome da verdade deles! Então porque não utilizaremos a única verdade que temos unindo-nos da voz da liberdade verdadeira para combater a verdadeira verdade? Nada de partidos, nada de ideologias baratas, mas apenas a união dos descontentes que terá mais votos do que qualquer partido. Pois o povo neste momento, não quer mais do que ter direito ao trabalho, então força vamos todos trabalhar, não me perguntem como... mas teremos mesmo de trabalhar para levantar um país, que nem deve ser muito difícil governar tendo só 91,950km2 A bem da verdade!

Abraços

Aqui é melhor http://babushka.blogs.sapo.pt/

10:15 da tarde  
Blogger Ana Teresa Bonilha said...

Olá querido Augusto!
Voltei de viagem faz pouco e estou a atualizar-me das novidades. Vejo que produziu bastante e anseio por lê-lo. Espero em breve comentar seus textos :-)

4:08 da manhã  
Blogger Friedrich said...

Em resposta à Biranta do blog sociocracia a partir do comentário
a verdade...
Percebeu mal minha amiga, nunca fui abstencionista, além do mais o meu comentário no Klepsidra dizia apenas respeito à verdade do texto e não a ideologias políticas, creio que percebeu mesmo mal porque eu nunca desrespeito as opções dos outros seja no que for, porque sou um democrata muito antes da revolução e acima de tudo sou um europeísta, logo, tenho direito à minha própria opinião e à indignação das fracas opções que este país nos oferece politicamente.
Porque se formos ver bem as coisas, este país é um país divido entre e direita esquerda com cinco partidos, ou seja : PSD, PS, CDS, direita e BE, PC, de esquerda. O tempo ensinou-me que este país é essencialmente de direita, como mostram os resultados eleitorais dos últimos vinte cinco anos. Não irei tão longe recusando-me a acreditar que não existam políticos honestos no nosso país, o que acontece é que estão todos eles espalhados pelas diferente ideologias o que faz ser uma ínfima minoria. O Bloco de Esquerda de certa forma vejo-o como o canal2 da RTP, todos gostam dele, mas poucos o vêm. E termino, com um viva a união democrática. Mas eu não tenho blogos para falar de política, recuso-me a fazê-lo, assim parafraseando o teu blog….  

“Este blog pretende elevar, a um patamar superior, a liberdade, a democracia! Clamar por honestidade e justiça. Não apenas no País, como no mundo. Aceitam-se ideias. Políticos honestos precisam-se!”

Só pergunto, que fazer a este país? Uma vez que eu não acredito em verdades absolutas… Não há nada a reflectir! Apenas Agir!

1:15 da tarde  
Blogger CP said...

Quando vem a segunda parte?

9:42 da tarde  
Blogger lazuli said...

Augusto, querido amigo (deixa-me tratar-te assim..), que prazer enorme em te ter conhecido. Verdade seja dita que logo à entrada fui perguntando por ti!
Só quero deixar uma frase.."Agora que os conheci não os quero perder". Deve ter um autor, tal é a imaginação....mas é o que me ocorre.
Sobre a ideia que deste ao Fernando, concordo inteiramente..Beijos. Fernanda G.

12:03 da manhã  
Blogger LetrasaoAcaso said...

Meu caro amigo: temos o país que queremos de certa forma.
Pode parecer uma arrogância minha. Porém, a nossa omissão e falta de uso da cidadania, que mais que um direito é um dever não nos torna culpados também?
Bolas. Temos de fazer ouvir a nossa voz e acabar com esses parasitas que vivem à custa de quem trabalha. De verdade.
Abraços

hppt://vbeiras.blogapraai.com

12:43 da manhã  
Blogger hfm said...

Obrigada pelo comentário. O meu nome está escrito no blog e é Helena.
Quanto a Zenóvia, Zenóbia ou Zoé (talvez muito à inglesa), não tenho suficientes conhecimentos para poder discutir mas sempre lhe chamei Zoé.
Tb gostei do post.

5:08 da tarde  
Blogger Ana Teresa Bonilha said...

Olá Augusto,

fiquei muito interessada também na segunda parte do post. Não conheço para falar a verdade, a situação econômica de Portugual e estou aprendendo através de ti um pouco.
Seu post fez-me pensar em algumas coisas. A primeira sem dúvida está no risco da entrada de dinheiro atavés de empréstimos ou "doações" porque este vem via política e em poucos canais, diferente de uma injeção de dinheiro sustentável através do setor produtivo da economia. A segunda coisa é que Portugual, assim como o Brasil, vivi uma democracia e no entanto sempre vemos pessoas inadequadas a representar o povo. Pessoas eleitas por este mesmo povo. Este para mim é o grande desafio, que acredito passar pela terceira coisa. Quando fazemos uma análise estrutura, conjuntural, macroeconômica, etc nos fica quase transparente como o povo é vítima de políticas espúrias. Nessas análises o poder é destituido do povo porque há uma tendência a tirar deste a resposabilidade pelo momento atual. Quando nos percebemos sem ter tido poder para gerar a situação que vivemos muitas vezes nos vemos também sem poder de modificá-la. Nos sentimos impotentes diante dela.
O risco desse pensamento é culpabilizar um povo já tão sofrido. Vejo no Brasil que as pessoas mais pobres não percebem em si mesmas nenhuma possibilidade de mudar a realidade do país e atribuem sempre essa tarefa aos ricos e a salvadores da pátria. Esse é o grande erro porque acabam por ser responsável justamente pela manutenção da situação ou até por sua piora.

5:46 da tarde  
Blogger Bárbara Vale-Frias said...

Bonita homenagem.

Parabéns ao Fernando! Um ano de blog? Há casamentos que não duram tanto! ;)

Estive desaparecida, mas voltei :)

12:10 da manhã  
Blogger mariagomes said...

Gostei de ler tanta verdade...anseio pela 2ª parte.

maria

12:30 da tarde  

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