sábado, julho 21, 2007

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O Islamismo ( III )
Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso

A conquista da Arábia

Depois da conquista de Meca e destruídos os ídolos da Caaba, Maomé retornou a Medina, onde organizou expedições contra toda a Arábia Central. Estas expedições iriam colocar boa parte da península sob a autoridade do profeta, mas a sua união só seria conseguida um ano após a sua morte.
Na peregrinação anual dos povos Árabes à Caaba, em 631, os peregrinos não encontraram as suas divindades, mas sim a Caaba transformada numa mesquita. Esta peregrinação marca a transição do politeísmo para o monoteísmo, instituído por Maomé.
No ano seguinte, em 632, na sua peregrinação anual à Caaba, Maomé ensinou os rituais a serem seguidos nas visitas futuras e, num arrebatado discurso, declarou que a sua missão terminara, apelando à união de todos os Árabes em torno do Islão. Fechou o discurso perguntando a todos se havia cumprido a sua missão, como a resposta foi afirmativa, declarou que aquele seria o seu último discurso.
Com 61 anos, idade avançadíssima para a época, após o regresso a Medina, falecia no oitavo dia de Junho de 632. O enterro de Maomé foi uma cerimónia simples, sem muita pompa, realizado em Medina no dia seguinte à sua morte.

O Período dos quatro califas
(Rasnidun)

Sem ter deixado nenhum filho homem, não se sabia quem seria o seu sucessor, pelo que, apareceram muitos pretendentes que legitimavam a sua pretensão. Alguns desses pretendentes, entre os quais se encontrava Ali, o primo de Maomé, temiam que Abu Bakr, pelo seu carácter de liderança fizesse do sepultamento do profeta, uma forma de assumir o poder.
De nada adiantaram as precauções dos candidatos à sucessão de Maomé, pois Abu Bakr e Omar (um importante membro da sociedade Caraixita, convertido em 619, e que tinha contribuído a para a conversão de boa parte da população de Meca, devido à sua popularidade), chamaram a si a responsabilidade de governar a Arábia e, apoiados um no outro, realizaram esta missão. Abu Bakr tornou-se no primeiro Califa, segundo reza a tradição, pois Maomé era o Profeta.
Com Abu Bakr, inicia-se o Período dos Quatro Califas, no qual o Império Islâmico, propriamente dito, começa a tomar forma, com a consolidação de uma unidade religiosa, do que havia conseguido Maomé com sua uniformização da manta de retalhos étnico-religiosa que formava a Arábia. Este período foi muito conturbado, com o surgimento das primeiras dissenções religiosas no Islão e com a abertura das novas frentes de batalha, contra a Pérsia e o Império Bizantino.

Abu Bakr (632-634)

Quando Maomé morreu, as diversas religiões árabes recuperaram força, alimentadas por diversos profetas, que tentaram a todo custo, a desunião do Islão, porém, a intervenção enérgica do novo califa, com a ajuda de Khalid ibn al-Walid, não só exterminou esses profetas, como apaziguou os Beduínos, conquistando-os. Enviou o seu general ao sul da península, que conquistou o Reino de Sabá e diversos Estados independentes do Iémen, Hadramaut, Omã e o litoral do Golfo Pérsico.
Em 634, Abu Bakr adoece e morre, mas no seu leito de morte, não se esqueceu de recompensar o seu principal aliado, Omar e, designou-o como seu sucessor.

Omar ibn al-Khattab (634-644)

Inicialmente séptico ao Islamismo, após a sua conversão, tornou-se num dos principais responsáveis pelo poder deste. Concentrou os seus esforços na conquista da Mesopotâmia, as antigas Judeia e Fenícia e expandiu até Alexandria, dominando as principais rotas comerciais. Os seus exércitos eram liderados por Khalid ibn al-Walid, que por todos os seus feitos em prol do Islão, ficou conhecido como “A Espada de Alá”.
A viabilidade das conquistas devia-se à tolerância dos conquistadores, pois quando os árabes dominavam uma região, não a obrigavam a converter-se ao Islamismo, apenas impunham um pesado tributo, aos não islamizados, para financiar as novas conquistas.
Do ponto de vista estratégico, cultural e económico, Omar foi muito eficiente. Ordenou a construção de três cidades que serviam de bases militares; Kufa, ao sul da antiga Babilónia; Basra, no Iraque; e Fostat, no actual Cairo. Com finalidade militar de defender e controlar a região, também eram utilizadas socialmente como pólos de islamização da região.
Foi Omar quem organizou o calendário Muçulmano que é seguido hoje, foi ele que fixou a Hégira como marco zero do calendário islâmico.
Organizou as finanças do império, criando o balanço (a diferença entre o receita e a despesa), organizando administrativamente os territórios conquistados sob as ordens de um governador e general, Wali, assistido por um Amir, responsável pela receita de cada uma das regiões conquistadas.
O seu temperamento era de tal modo cruel que, em 644, levou um escravo enfurecido a causar-lhe um ferimento mortal. No leito de morte, ainda teve tempo de designar um conselho com seis membros com a função de eleger o novo Califa.

Uthman ibn Affan (644-656)

O conselho dos seis era formado por, entre outros, pelo próprio Uthman que, além de amigo de Maomé, havia desposado uma das suas filhas e Ali (primo do profeta). Este conselho acabou por eleger Uthman como novo Califa.
Uthman ao contrário dos seus predecessores, não era uma figura famosa entre o povo, nem tão pouco um herói militar, era no entanto, um importante membro da aristocracia comercial de Meca, pertencendo ao clã Omíada. Desta forma, a eleição do novo Califa deu início à hegemonia da aristocracia comercial de Meca sobre o Califado.
Com Uthman, os árabes tentaram dominar as mais importantes regiões comerciais do Médio Oriente e norte de África. Reconquistou Alexandria, que havia sido perdida para os bizantinos e a conquista da Palestina e da Fenícia foram consolidadas. Estas conquistas, no seu conjunto, possibilitariam o início da expansão marítima árabe, pois antes, nunca se haviam arriscado em águas mediterrânicas.
A principal figura da expansão marítima foi Moawiya, o governador da Síria, que obteve sucessivas vitórias sobre a esquadra bizantina. Em 649, Chipre caiu nas mãos muçulmanas e, com este vento, o fim da hegemonia de Constantinopla sobre as águas do Mediterrâneo Oriental. Com as fronteiras consolidadas e com uma economia fortalecida, o Califa diminui o fervor expansionista dedicando-se a elaboração de um texto único para o Alcorão, pois a existência de textos conflituantes, (Maomé não sabia escrever, limitou-se a ditar o livro para outros) começava a gerar discórdias religiosas.
Contudo, o governo de Uthman teve algumas vicissitudes que o tornaram muito impopular. O nepotismo (emprego de parentes e amigos em cargos públicos de confiança) seguido do esbanjamento do tesouro central, que diminuiu os recursos para fins importantes, como os militares. Por outro lado, a paragem da expansão acarretava o fim das presas de guerra e a diminuição dos impostos provenientes dos povos conquistados e não islamizados.
A repercussão de tais factos, acaba por criar uma frente opositora formada por quatro figuras importantes na comunidade islâmica; Aysha, filha de Abu Bakr e principal mulher de Maomé; Ali, primo do profeta; al-Zuayr e Talha, ambos, assim como Ali, membros do conselho dos seis que elegeu o Califa.
A situação tornou-se calamitosa, quando no final de 655, Amr, o governador do Egipto foi deposto pelo Califa que nomeara para o seu lugar um parente. Amr com os seus soldados tentaram depor Uthman, mas não lograram o sucesso. O Califa pediu auxílio ao novo governador do Egipto para que este sufocasse a revolta, que obedecendo, matou um importante general leal a Amr. A morte do oficial levou à revolta os exércitos do califado, que quando a notícia chegou a Medina, os soldados amotinados, invadiram o palácio e mataram Uthman enquanto lia o Alcorão.

Ali ibn Talib (656-661)

Quando Uthman morreu, Ali tomou para si o título de Califa, no entanto, as circunstâncias nas quais o antigo Califa fora morto (lendo o livro sagrado) tornaram-no, inesperadamente, num mártir. Assim, Ali, que possivelmente instigara os exércitos contra Uthmana, foi considerado pelos seus antigos aliados e por Moawiya, governador da Síria, que era primo de Uthman, que com a sua morte herdara a chefia do clã Omíada, um usurpador.
Ali por seu lado, contava com inúmeros aliados, entre os quais as três fortalezas árabes; Fostat, Kufa e Basra. A viúva de Maomé, Aysha, juntamente com outros dois inimigos de Ali, mudou-se para Basra, onde procurou sublevar a fortaleza contra o novo Califa.
Vendo que a sua presença era indispensável junto dos exércitos, em especial na Mesopotâmia, Ali transfere a capital de Medina para Kufa e lá organizou as tropas e marchou contra os rivais, em 656.
Desenrolou-se então a chamada batalha do camelo, onde Ali exterminou as tropas oponentes, além de matar al-Zuayr e Tallha e capturar Aysha, que politicamente deixou de ter qualquer influência.
A morte dos seus inimigos serviu para consolidar as posições de Ali no Iraque, mas na Síria as coisas passavam-se de maneira diferente. Moawiya não aceitava o governo de Ali, a quem considerava um usurpador e, agora aliado com Amr, iniciou em 675, as suas ofensivas.
A batalha de Siffin, na margem direita do rio Eufrades, em 675, foi decisiva, pois os exércitos de Ali estavam levando vantagem até que Amr, que comandava os exércitos de Moawiya, ordenou que todos os seus homens colocassem sobre as espadas folhas do Alcorão. Essa imagem fez com que as tropas de Ali desistissem de lutar, pois consideravam sacrilégio matar homens tão leais à sua fé. Além da desistência, os homens de Ali decidiram submete-lo a uma arbitragem, uma espécie de julgamento para decidir se a sua ascensão ao poder era legítima.
Enquanto Ali se retirava do campo de batalha com os seus homens, cerca de metade deles veio insistir para retomarem o combate. O Califa achou prudente não aceitar a pretensão, pois estariam em menor número e a derrota inevitável. Diante da recusa da Ali, estes soldados desertaram, mas em vez de se passarem para o lado de Moawiya, formaram uma milícia religiosa, cujos seguidores foram apelidados de Kharidjitas. A formação da milícia marca o primeiro grande cisma do Islão.
Depois da formação do kharidjismo, Ali teve que ocupar o seu tempo enfrentando-os, o que permitiu a Moawiya agir livremente, retomando o Egipto, cujo governo era leal a Ali e entregou-o a Amr. Em 660, em Jerusalém, proclama-se Califa.
Ali finalmente derrotou os revoltosos Kharidjitas, na batalha de Nahrawan, nas margens do Tigre. Em 661, quando Ali organizava as suas tropas para marcharem contra a Síria, um kharidjita, disfarçado, invadiu a mesquita de Kufa e matou o Califa. Com a morte de Ali, o caminho ficou livre para as pretensões de Moawiya.
(continua)

9 Comments:

Blogger Isamar said...

Será que sou mesmo a primeira a comentar? Sobre o islamismo, esta terceira parte ainda não li, nem o livro, que chegou bem.Estou a acabar um dos vários que comprei há pouco e começarei a ler o teu. Quando acabar de o ler, dir-te-ei.
Beijinhos

11:03 da tarde  
Blogger Diogo said...

Caro Augusto, estes registos da história islâmica são excelentes para que se possa compará-la com a história judaico-cristã. E compreender como são parecidas (como não parecia deixar de ser).

Um abraço

12:09 da tarde  
Blogger Peter said...

Continuo sem ler o Islamismo. Espero que não rebentem carros em Portugal, nem sejam accionados bombistas suicidas.
Se tal acontecer, todos gritarão:

"Oh da guarda!"

Vou lendo a tua versão da vida de Jesus.

11:11 da tarde  
Blogger Bernardo Kolbl said...

Caro Augusto:
Eu sou eu e anda aí gente que me conhece. Até na televisão me viram.
A Sónia é mulher do Sérgio. O PR. Que muitos por aí conhecem, realmente.
O Nero não tem nada a ver com o Suck.
É mesmo simples. Acredita. E real, não virtual. Não confundas.
Boa tarde.

6:30 da tarde  
Blogger AJB - martelo said...

esta é uma forma de ler o livro ou de reler... e sem dúvida investigação...
abrç

7:35 da tarde  
Blogger Leonor said...

ola augusto.
mais um post excelente para consulta e ler devagar e sempre que se precisa.sabes que ha coisas de posts teus antigos que ainda vou la buscar?
reli esta tarde numa revista que guardei religiosamente uma experiencia feita nos estados unidos aqui ha uns 18 anos. uma piramide que tinha todos os ecosistemas do mundo. lembras-te?
Abraço

9:24 da tarde  
Blogger Å®t Øf £övë said...

Augusto,
Esta tuda belíssima descrição histórica, só vem comprovar que a politica e a religião já nesses tempos longínquos andavam de mãos dadas, bem como as alianças e as traições já eram uma constante.
Nada de novo portanto...
Bom fds.
Abraço.

9:41 da tarde  
Blogger Unknown said...

Amigo Augusto...
Um lindo fim de semana para ti, cheio de muita paz e muita alegria... :o)
Beijos, flores e muitos sorrisos para ti... sempre!

3:35 da manhã  
Blogger Peter said...

Os islamitas, fundamentalistas ou não, querem a minha destruição.
Como tal, que vão "para o raio que os parta".
Não rastejo, como aquela repórter de TV que foi toda de negro entrevistar o embaixador do Irão.
P.Q.O P.

10:32 da tarde  

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