domingo, janeiro 20, 2008

Deus e o Diabo é que nos guiam

Deus e o Diabo dois conceitos que se complementam, interagindo na mesma proporção. Se considerarmos um como o bem e outro como o mal, quantitativamente são iguais, pois a aceitação de um, implica inevitavelmente a rejeição do outro, na mesma proporção.

Crer na existência de um Deus sem admitir a existência do Diabo, não faz sentido, pois o bem só por si não existe, se não for a oposição do mal, como um princípio exige sempre um fim.

Considerando que Deus existe porque o homem existe, pois o problema da criação e do fim, do bem e do mal, são afecções do próprio homem, implicitamente o Diabo também faz parte da sua vida, pelo que podemos deduzir, que ambos guiam a sua existência.

Como crer na existência de Deus não implica necessariamente qualquer tipo de religiosidade, teremos os crentes divididos em dois grupos: os crentes religiosos e os crentes não religiosos, sendo os primeiros consubstanciados pela imposição e os segundos pela razão. Também a sua maneira de ver Deus é diferente; os religiosos segundo os ditames da fé que abraçam, os não religiosos, pela subjectividade de cada um.

É nas religiões que a presença do Diabo é mais omnipotente, pois é o medo deste, que é incutido, que dá vigor ao processo da fé, por outras palavras, é o medo da punição que leva à devoção. Será que as pessoas adeririam às exigências das religiões se não houvesse o previsto castigo para a desobediência? Todas as religiões se baseiam na dualidade: Céu e Inferno. Não existe adoração a Deus sem a evocação do Diabo. Claro que, conforme os interesses das religiões, as exigências divinas divergem, bem como o castigo do não cumprimento.

Mas não é das religiões que quero falar, mas no comportamento das pessoas, e assim, sou levado a afirmar que os crentes religiosos não têm a noção da Ética Universal, mas só da Ética da sua religião, o que é comprovado pela intolerância, um dos fundamentos das religiões. A exigência das diversas verdades acaba, indubitavelmente, na ignorância da própria verdade e, pior ainda, tender para o fim da dualidade, onde o bem e o mal se confundem. Deus e Diabo, um só personagem.

Os crentes não praticantes de qualquer religião, ainda que libertos das imposições religiosas, estão cativos do seu livre arbítrio que ditará a razão. Vacilam entre Deus e o Diabo, conforme a conveniência do momento. Se a importância de Deus varia conforme a necessidade, o Diabo não é excepção, o que se reflecte no seu comportamento. Também nestes a importância da dualidade se desvanece, acabando na unidade de Deus com o Diabo.

Os agnósticos, sem capacidade para compreenderem Deus, não deixam contudo de reconhecer algo, que acima da compreensão humana, interage na sua vida, como por exemplo um criador e que, como criado, senão venera, pelo menos respeita. Também este não pode fugir à regra. O que foi criado, um dia será destruído e, com este raciocínio, o Diabo destruidor, entra na sua vida, em pé de igualdade, pois tão difícil é compreender um como o outro.
Para o ateu, Deus não existe, como a criação não depende de qualquer obra divina. Penso logo existo, o resto são favas. E o medo de morrer ficou esquecido? Não creio.
Aceitar o fim é aceitar o princípio, ainda que esse princípio não se insira em nenhuma das concepções religiosas conhecidas. O fim é a destruição, obra do Diabo por antagonismo ao Criador. O ateu sem dar por isso, funde o criador e o destruidor numa só entidade que lhe rege a vida.

Por último temos os que não acreditam nem na criação nem na morte. Para estes a existência é uma emanação do divino ao qual retornarão um dia. Esta emanação divina dá origem simultaneamente à emanação do Diabo, pois depende do comportamento da existência, o retorno ao divino. Também nestes, Deus e o Diabo, andam de braço dado.

Querer recusar a influência do Diabo, até mesmo em certos casos, o seu fascínio, é uma falta de conhecimento do comportamento humano, onde ele, sob a capa do que é correcto, se instala com a nossa concordância para alimentar o nosso egoísmo.

O amor é uma universalidade, ou se ama tudo, ou não se ama. Seleccionar o amor, é uma falsa premissa para a conclusão amorosa, é uma prova do nosso egoísmo, o tal Diabo de estimação que vive em nós, que nos leva à descriminação amorosa.

7 Comments:

Blogger Simbelmune said...

Acho que quando fala de Deus e do Diabo como realidades que se necessitam para co-existir, utiliza uma lógica circular que não se adapta ao modelo Judaico-Cristão que conheço.
Deus implica uma consciência, uma realidade para além das circunscritas pelos Anjos - qualquer que seja o seu rango hierárquico.
O anjo caido e suas hostes teriam uma "antítese" em Miguel e os anjos fieis.
Sendo uns unificadores e outros fragmentadores da consciência humana, não implicam Deus na sua contenda dualista.
Deus ficaria perto do conceito "unidade", esfera ou ponto.

Um abraço.

11:27 da tarde  
Blogger Bloga Comigo said...

Talvez tenha vindo para ficar se quiseres blogar comigo. Eu quero blogar contigo.
Bjos

9:35 da tarde  
Blogger Å®t Øf £övë said...

Augusto,
O meu lema não é bem "Penso logo existo, mas mais o Penso logo blogo, e blogo o quanto posso, enquanto posso..
Abraço.

9:00 da tarde  
Blogger Diogo said...

Muito bom post Augusto.

«E o medo de morrer ficou esquecido? Não creio. Aceitar o fim é aceitar o princípio»


Eu sou ateu. Para mim, o único medo de morrer é (espero) o medo da dor. De resto, sei perfeitamente o que é a morte: eu estive morto até ser concebido. Por exemplo, em 1914, eu estava morto. E assim continuei durante quase meio século. Eis senão quando: Suscitei!

Abraço

10:08 da tarde  
Blogger Ashera said...

E afinal é tudo tão simples:
O que falta é o Amor Universal...Excelente Post
Obrigada querido augusto
Vinha aqui roubar-te para te imprimir e levar amanha ao Henrique, mas talvez ele mesmo possa já vir deixar o comentario (ao vivo).
Boa semana e estejas bem sempre.
Beijos e muitos beijos

9:33 da tarde  
Blogger AJB - martelo said...

lá virá sempre o dia em que o incrédulo se torna crente, por precaução...
abç

10:04 da tarde  
Blogger isabel mendes ferreira said...

obrigada. Augusto.


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9:34 da manhã  

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