segunda-feira, abril 23, 2007

Judaísmo
(quarta parte)

Época Talmúdica

Soba o domínio helénico, no tempo dos selêucidas, o povo judeu votou novamente a sofrer, pois estes soberanos, além de o sobrecarregarem com impostos, persegui-o pelo seu culto. Antíoco Epífano mandou erigir uma estátua de Júpitar Olímpico no meio do Templo e, matou todos os judeus que não quiseram substituir as suas crenças pela nova divindade.
Surgiu então uma família cujos membros eram detentores de grande talento militar, os macabeus. O primeiro que resistiu aos decretos de Antíoco, foi Matias, que o combateu nas montanhas. Seu filho, Judas Macabeu, entrou vitorioso em Jerusalém e restabeleceu o culto divino e os seu irmãos Joinatan e Simão, após a sua morte, continuaram a luta pela liberdade, até obrigar Antíoco a aceitar a paz.
O helenismo largamente difundido na Judeia, onde o sentido grego da vida, mais superficial e cheio da formosura da natureza, havia entusiasmado muitos judeus que, haviam começado a sentir o peso da sua doutrina mãe, demasiada séria e de formas de vida muito severas.
Na Judeia o helenismo foi combatido com armas pelos macabeus e verbalmente pela obra incansável e contínua dos sábios, os quais, que com o decorrer dos séculos foram substituindo os profetas. Enquanto os “hassidim”, isto é, os puros, se afastavam da vida política, surgiu uma nova seita: a dos saduceus. Estes, arreigados ao sentido literal do código sacerdotal da Tóra, rechaçavam a lei oral que era difundida entre o povo por outra ceita: os fariseus.
Os fariseus representavam o verdadeiro elemento salvador do judaísmo. Estabeleceram uma doutrina intermediária entre a dos saduceus, rígidos sacerdotes que, apesar do seu sacerdócio, dedicavam demasiado tempo à vida mundana, e a dos essénios, que com o seu ascetismo e a sua vida contemplativa, esqueciam-se da vida humana. Os fariseus, por seguirem a lei oral, foram os iniciadores do vastíssimo trabalho que se conhece com o nome de Mishná.
A partir de então, os judeus foram dominados por vários povos em expansão. Mas o domínio efectivo da região deu-se em 63 a.C., quando a palestina foi incorporada numa potência que dominava quase todo o mundo da época: o Império Romano. De início, não houve interferência nas crenças religiosas dos judeus, mas, com o passar do tempo, os romanos ridicularizavam a religião judaica e procuravam impor o culto do imperador, coisa que para os judeus era a pior das humilhações e da recusa dos judeus em reconhecê-lo como tal, foi ordenada a destruição de Jerusalém.
Os judeus esperavam ansiosamente o momento da sua libertação, que terminaria com a vinda do Messias, que libertaria o povo judeu.
Foi neste clima tenso que nasceu Jesus de Nazaré. Ele tornou-se um importante pregador de ideias renovadoras para o judaísmo. Jesus, na sua época, não conseguiu obter muitos adeptos, pois não viam nele o líder militar que desejavam, por isso não o aceitavam como Messias.
O segundo momento da diáspora acontece no ano 70, com a destruição de Jerusalém pelos romanos. A partir desse momento, algumas famílias judaicas imigram para diversos países da Ásia Menor e sul da Europa, formando comunidades que mantêm a religião e os hábitos culturais.
Empurrados pelo islamismo, os judeus do norte de África imigram para a Península Ibérica. Expulsos de lá pela cristandade, no selo XV, imigram para a Holanda, Balcãs, Turquia, Palestina e, estimulados pela colonização europeia, chegam ao continente americano.
O período que se inicia com a edição da Mishaná, no ano 200, prolonga-se até aos meados do século V. Durante cerca de três séculos, três fenómenos importantes determinam o curso da história judaica: a decadência do Império Romano, a gradual diminuição da importância de Israel no conjunto do povo judaico e a ascensão do cristianismo, até se tornar a religião oficial do Império Romano. Estes três fenómenos contribuíram para o deslocamento do centro cultural e económico do povo judeu para Leste, onde no Império Parto, as condições mais favoráveis vão permitir um aumento extraordinário da actividade judaica.
A comunidade babilónica passou a assumir a liderança do judaísmo dando continuidade à tarefa das gerações precedentes. A grande contribuição desta comunidade para o judaísmo foi o Talmud, que guiou o povo judeu durante os séculos que seguiram.

A Tora Oral foi ensinada boca a boca através de gerações até ao século III, quando foi anotada num enorme documento, constituído por muitos volumes, chamado Mishná. No século V, tornou-se muito vasta e confusa para as pessoas entenderem, e a explicação oral foi escrita numa colecção megacolossal que explica melhor e mais minuciosamente a Mishná. É o Talmude- explicação da Mishná.
A composição do Talmud caracteriza-se por seis ordens (sedarim); cada uma compreende um ramo especial de prescrições religiosas e doutrinárias: Seraim, da regulamentação da distribuição de bens e produtos da terra aos sacerdotes, aos pobres e a outros beneficiários; Moed, preceitos sobre o calendário judaico, o sábado, os dias de festas e os dias de jejum; Nashim, prescrições de direito matrimonial; Nesikim, prescrições de direito civil e penal; Kodashim, preceitos rituais; Toharot, sobre impurezas e purificações.
A história do povo judaico não pode ser dissociada da história da sua religião. Há uma ligação íntima que torna difícil falar delas separadamente. A sua forma vida e cultura, é alicerçada em fundamentos religiosos.

17 Comments:

Blogger Peter said...

"A história do povo judaico não pode ser dissociada da história da sua religião. Há uma ligação íntima que torna difícil falar delas separadamente. A sua forma vida e cultura, é alicerçada em fundamentos religiosos."

O que eu tenho aqui aprendido contigo! E lembrar-me eu que fiz uma cadeira de opção intitulada: "História das religiões". LOL

Abraço

P.S. - Pois é, na hora da escolha dos 5 blogs, lembrámo-nos dos conhecidos.
Não estou em Lisboa, escrevo de um cyber café.

10:49 da manhã  
Blogger PintoRibeiro said...

Luz, sim, sempre. Mesmo na mais profunda treva ou precisamente por isso.
Abraço, Augusto,

11:20 da manhã  
Blogger alice said...

gostei muito de ler, augusto. um tema denso que se torna acessível nas suas palavras. uma importante reflexão histórica e social. ;) um grande beijinho.

3:47 da tarde  
Blogger Paulo Sempre said...

Obrigado pelo comentário *.

«O Evangelho sem a Igreja é um veneno» disse Maurras, o fundador do movimento fascista francês.

«Numa época em que o mundo se reclama da individualização global, a tolerância religiosa só funciona por aqui se as minorias passarem despercebidas» (Professor Moisés Espírito Santo- Origens do Critianismo Português-)

Abraço
Paulo
* O seu comentário surgiu quando eu estava a meio de «postar».

9:16 da tarde  
Blogger Simbelmune said...

A diáspora propriamnte dita parece começar após se ter esmagado a revolta do último dos auto intitulados messias - Simão Bar Kokhba - pelo 132-135 Era Comum.
Tito destruiu o templo mas não a animosidade independentista. A deportação Romana espalhou o povo Hebreu pelo mundo até ao seu regresso em 1948.
Não esquecer que os macabeus foram ajudados pela Pártia na sua luta pela hegemonia contra o império Romano.
Curioso notar que os magos que visitam um certo judeu nascido baixo o sinal de uma estrela são Caldeus... tanta coisa política entre as linhas com que se tece a religião...

5:04 da manhã  
Blogger isabel mendes ferreira said...

bom dia Lucidez.


bom dia Tora

:))))

bom dia abril


beijo-Os.

10:32 da manhã  
Blogger Ulysses said...

Muito bons estes excelentes banhos de história.
1 Abraço

11:30 da manhã  
Blogger Opintas/Bernardo said...

Sem 25's,bom dia e um abraço.

11:49 da manhã  
Blogger Dad said...

25 de Abril SEMPRE!

Beijinhos!

1:42 da tarde  
Blogger oasis dossonhos said...

Aquele abraço e desejo de muita saúde para continuares a ser uma voz tão estimada neste mar de amigos.
Luís

9:59 da tarde  
Blogger contradicoes said...

Não há dúvida e já nos habituas-te tu
aprofundas os temas que acolhes e não deixas por mãos alheias os necessários esclarecimentos que entendes nos dever prestar. Ou seja quem acompanha a leitura dos teus posts não pode ficar com qualquer dúvida porque o esclarecimento está lá todo. Com um abraço do Raul

10:31 da tarde  
Blogger PintoRibeiro said...

Sem tempo, a correr, passei para deixar um abraço,

6:00 da tarde  
Blogger sonhadora said...

Esta noite deitei o sonho no leito ...e vejo estrelas.
beijinhos embrulhados em abraços

10:52 da tarde  
Blogger Diogo said...

Victor Gold foi um dos autores dos discursos dos presidentes Gerald Ford e Georges H. Bush.

Segundo Victor Gold, a administração Bush «encenou uma operação encoberta (false flag operation – ataque falsamente imputado ao inimigo)»: os atentados do World Trade Center e do Pentágono seriam um golpe dirigido a partir de dentro com o objectivo de justificar as guerras já preparadas há longa data contra o Afeganistão e o Iraque.

11:00 da tarde  
Blogger sonia r. said...

Bom fim de semana Augusto.

11:32 da manhã  
Blogger Å®t_Øf_£övë said...

Este comentário foi removido pelo autor.

11:02 da tarde  
Blogger Å®t_Øf_£övë said...

Augusto,
Estamos numa fase, em que bem precisavamos que surgisse um novo Jesus de Nazareé.
Abraço.

10:25 da tarde  

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