sábado, março 03, 2007

Quem sou eu?

Esta é a pergunta que muitas vezes fazemos, procurando com ela encontrar a justificação existencial da identidade de “nós mesmos”.

O que é se entende por realidade existencial da identidade que assumimos?

Se definirmos a realidade existencial como aquilo que a consubstancia sem depender de “outros” para a própria existência de “nós mesmos”.

Teremos “nós mesmos” como - um nome – uma mulher, um homem – uma esposa, um marido, uma solteira, um solteiro – um filho, um pai – um amigo, um cidadão – uma entidade com convicções e valores – uma busca espiritual – um organismo sensitivo com livre arbítrio – um conjunto de conhecimentos.

Estes são os principais fundamentos/definição com os quais construímos a nossa própria identidade, contudo, nenhum deles existe por si mesmo.

Imaginemos, por hipótese, que somos o único ser existente e questionemos.

Sem os “outros”, o nosso nome teria algum significado?

Sem os “outros” a identidade que assumimos como de mulher, de casada, de mãe, tem algum significado?

Sem os “outros” o conceito de amigo e de cidadão teria algum significado?

Sem os “outros”, as convicções, a busca espiritual e o conhecimento, teria algum significado?

Sem os “outros”, a convicção de ser um organismo humano com livre arbítrio, tem algum significado?

De que forma, o fundamento/definição, pode conter a realidade da nossa identidade?

Quando, se pensarmos bem, nem o conhecimento completo do nosso aspecto físico temos.

Sem os “outros” Quem sabe qual é a configuração da sua face, a cor do seu cabelo ou o formato das costas?

Concluímos que: sem os “outros” aquilo que consubstancia a existência de “nós mesmos”, não tem nenhum significado.

A afirmação de Descartes, eu penso logo existo, não é suficientemente abrangente, porque na realidade, essa existência não contempla a identidade.

A identidade de “nós mesmos” como coisa individual não existe, é o resultado de uma interacção de conjunto com todos os “outros”, o singular só pode existir na pluralidade.

Quem sou eu? É uma tentativa do singular se demarcar do colectivo, que sem ele a resposta teria de ser, Nada

20 Comments:

Blogger Kalinka said...

Olá Amigo Augusto

nesta bela noite, tenho estado a apreciar o «eclipse total» da Lua.
Está LINDA.

O teu texto está muito interessante, como todos os outros que escreves.

Sim, é a pergunta que muitas vezes fazemos, procurando com ela encontrar a justificação existencial da identidade de “nós mesmos”...mas, será que conseguimos chegar a alguma conclusão?

Bom fim de semana. Abraço.

11:25 da tarde  
Blogger isabel mendes ferreira said...

sou. o maior dos plurais. enquanto me for um no meio dos outros e com eles.


Augusto com a licença da T. Adoro.te!


:))))))))))


bom dia "savant".

10:07 da manhã  
Blogger legivel said...

não podemos comparar
singular sem plural
p´ra podermos avaliar
entre o bem e o menos* mal.


* Para não drmatizarmos a rima...

Abraço.

4:35 da tarde  
Blogger contradicoes said...

Concordo inteiramente com o raciocínio. Não é por acaso que são os outros que nos identificam através dos nossos actos e acções factores que o determinam. Respondendo à tua pergunta deixada no meu blog.
Estou fracamente melhor, mas para isso tive de recorrer a uma consulta dum especialista que a troco duns modestos 120 € prescreveu uma medicação adequada ao meu problema de saúde. Como vês meu caro amigo o SNS está a funcionar em pleno neste País, sobretudo em termos de absorção da enorme fatia da receita do OE, porque em termos de solução dos problemas dos doentes estes se os quiserem resolver que recorram ao sector privado. Continuação do bom domingo. Um abraço do Raul

6:31 da tarde  
Blogger PR said...

Tu e eu. Boa semana, abraço.

11:00 da manhã  
Blogger Choninha said...

"A identidade de “nós mesmos” como coisa individual não existe, é o resultado de uma interacção de conjunto com todos os “outros”, o singular só pode existir na pluralidade."

Somos como uma salada de frutos, um fruto isolado tem apenas o seu sabor, um poucochito de todos cria essa entidade "salada", bem mais saborosa pela variedade. Interagir e aprender, revermo-nos nas acções e nos pensamentos dos outros, faz de nós; mesmos, peças de puzzle que se vão sabendo colocar no devido lugar. Nós somos os outros, não deixando de sermos nós.

11:13 da manhã  
Blogger isabel mendes ferreira said...

nada....



absolutamente. mesmo que os espelhos por vezes mostrem o contrário...:))))


beijossssssssss.

2:50 da tarde  
Blogger susana said...

Quem sou eu? Prescindo da frase de Decartes e prefiro a de Einstein: "Tudo é relativo" ;)

4:46 da tarde  
Blogger alice said...

olá augustom. tendo em conta o seu comentário no meu blog. que muito agradeço. vou enfim tentar expôr o que penso. a suposição "sem os outros" parece-me impossível. pois sem eles, nós não existiríamos. só existimos porque descendemos. se existem os nossos progenitores, já existem "os outros". descartes fez uma afirmação brilhante. concordo consigo que de facto não abrange a totalidade dos seres. os animais que não pensam também existem. ou terão outra faculdade de pensar diferente daquela que caracteriza os humanos. quanto aos exemplos que deu. alguns remetem mais para a circunstância da pessoa do que para a sua personalidade. "estar solteiro" não é, a meu ver, a mesma coisa que "ser solteiro". e se não existissem "os outros", não havia sociedade nem costumes nem regras. logo, o homem, não poderia ser aquilo que mais o define: um ser social. gostei de raciocinar. agradeço e despeço-me. boa tarde.

7:14 da tarde  
Blogger H. Sousa said...

Caro Augusto, interessantes pensamentos que motivam uma profunda introspecção. Parece, contudo, que a célebre frase de Descartes, que inspirou A. Damásio, e que tem sido entendida como "penso, logo existo", terá sido verdadeiramente "penso, logo sou". O ser é, quiçá, o existente, daí a tradução. Mas será isso que Descartes quis dizer?
Mais uma acha para a fogueira.

9:34 da tarde  
Blogger alice said...

boa noite ;) agradeço o seu comentário. para ser franca. também já fiz o mesmo. pedi à pessoa do blog onde ouvi esta música. que me desse o código. não resisti. gosto imenso dela.

tentei colar aqui, mas o blogger não aceita. ou então sou eu que não sei colar aqui na caixa de comentários um código html. se autorizar, envio-o por mail. aguardo o favor da sua resposta.

(atraduzir@hotmail.com)

um beijinho.

10:18 da tarde  
Blogger Å®t_Øf_£övë said...

Augusto,
Decartes tem a afirmação que diz "Eu penso logo existo".
Eu direi:
Se eu blogo logo existo...
Se penso logo existo...
Se penso que penso...
Divago...
Se divago, logo existo...
Divago enquanto isso...
Divago enquanto posso...
... o quanto posso!!!

Eu penso, mas quando penso, logo desisto de pensar, mas já que existo aproveito...
Mas existo? Porquê?!
Acredito que algo existe... se a matéria existe, algo mais poderá existir.
Penso, logo só existe o que se ajusta aos meus conceitos e preconceitos...
Entendes-te???
Eu também não... mas que existo existo!!!
E divago enquanto posso...
Abraço.

11:10 da tarde  
Blogger alice said...

ficou muito bem aqui, a música. eu agradeço esta partilha. bom dia ;)

12:19 da tarde  
Blogger Peter said...

Meu caro Augusto, uma série de perguntas interessantes que o Vasco (vbm) http://blogexperimental.blogspot.com
discutiria contigo com o maior prazer.

12:16 da manhã  
Blogger Klatuu o embuçado said...

É uma questão metafísica e não psicológica - como tal nunca poderá ter resposta no contexto estrito da imanência.

12:36 da manhã  
Blogger PR said...

Bom dia e um abraço,

12:13 da tarde  
Blogger Ulysses said...

O Eu é uma singularidade estranha, simultaneamente sendo o tudo e o nada. É este Estranho, que julga que o universo roda em torno de si e que se demarca do carrossel celestial, como se tudo tivesse sido feito para o honrar.
Inevitavelmente, à escala celestial, o Estranho está destinado ao esquecimento e ao Nada.
Abraços

7:33 da tarde  
Blogger Å®t_Øf_£övë said...

Achei curioso o Peter fazer referência ao vbm!!!
Mas olha que é mais fácil encontrá-lo aqui: blog experimental

Abraço.

10:08 da tarde  
Blogger perplexo said...

É a interacção com os outros que nos confirma.
(Saudades de outros tempos, não direi exactamente. Saudades do entusiasmo, da interacção com os outros, do corpo jovem, sim!)
Abraço

12:44 da manhã  
Blogger Simbelmune said...

No mundo da mente, todas as afirmações têm contraponto. No mundo dual, o branco e o negro são ambos pontos de vista possíveis.

A mente é uma ferramenta interessante, mas deveria reconhecer os seus limites e assumir-se como o que é... mais uma ferramenta para navegar na realidade.

Grande "tour" através do labirinto mental.

Bem haja

4:28 da tarde  

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