sexta-feira, abril 14, 2006

Hipótese ou verdade?

É dado adquirido que a população do chamado Primeiro Mundo está a diminuir a um ritmo acelerado.
O aumento da infertilidade, as dificuldades económicas e o estilo de vida adoptado, são as principais razões apontadas como responsáveis pelo decréscimo da natalidade.
A falta de visibilidade deste fenómeno é devido ao aumento da esperança de vida, que se traduz num aumento da população, que de certa maneira, temporariamente, tende a manter a média populacional estável.
Se a esperança de vida fosse igual à que existi há meio século, que rondava os cinquenta anos, cerca de um terço da população não existia, o que nos levaria a tomar consciência da diminuição da população.
O contrário acontece no chamado Terceiro Mundo, onde a natalidade é elevada, e que apesar de a mortalidade infantil ser grande e a esperança de vida menor, a população vai aumentando.
Perante este facto, os governos do Primeiro Mundo, têm mostrado uma grande apatia, em vez de tentarem encontrar o antídoto para este ”veneno” que tende a acabar com a população, têm procurado a solução na miscigenação das populações, ou seja importar os mais aptos para a reprodução, em especial as populações africanas, e com estas tentar regenerar as populações locais.
Solução errada, que levará inevitavelmente a médio prazo à mesma situação, quando as populações importadas, por aglutinação social, venham a sofrer das mesmas razões sociais das que as acolheram, ou seja o contínuo desaparecimento da população.
Este fenómeno da diminuição da população, que tende ao seu desaparecimento, não me parece seja ocasional ou cíclico, nem tão pouco consentido pela vontade, pelo que talvez tenhamos que procurar outra explicação fora do nosso conceito civilizacional.
Aquilo que vou por como hipótese a seguir pode parecer um absurdo, mas antes de o considerarem como tal, pensem um pouco, e talvez encontrem alguma verdade.
Na minha hipótese o fenómeno chama-se Gaia, ou seja a própria Natureza a regenerar-se para evitar a sua destruição.
Quando estamos doentes, especialmente se a doença pode conduzir ao nosso fim, procuramos eliminar as causas dessa doença, substituindo as células causadoras do mal por outras.
Com a continuação das acções predatórias da humanidade, é perceptível que o auto sistema regenerativo da Natureza para que tenha sucesso, tenha de destruir Tudo o que está na origem da sua enfermidade, ou a regeneração nunca será possível, conduzindo irremediavelmente ao seu fim.
Pergunto. Quem é esse Tudo que mais contribui para a enfermidade de Gaia? A resposta todos sabem. A humanidade.
E entre este Tudo, quem são os piores? A resposta também me parece óbvia. A humanidade do Primeiro Mundo.
Se Gaia continuar com estas células cancerosas, estamos em presença de uma enfermidade com morte anunciada.
Se ninguém quer morrer por doença, muito menos Gaia, que tudo fará para se manter viva, porque a sua morte era interromper o próprio ciclo evolutivo do Universo.
Só a reciclagem destas células, a humanidade, poderá contribuir para a salvação de Gaia.
Pretenso senhor do mundo, o egoísmo do homem tem levado à destruição sistemática da Natureza.
Dessas destruições, algumas já são irreversíveis, e para que a irreversibilidade não seja total, a única defesa que a Natureza tem é reciclar, eliminando esse egoísmo, e reconstruir uma humanidade mais consentânea com a própria Natureza.
Como foi África o continente escolhido pela Natureza, pela evolução e selecção natural, para fazer emergir a humanidade, quem sabe se não será novamente o escolhido para a partir dele proceder a à reciclagem da humanidade.

18 Comments:

Blogger Júlia Coutinho said...

Feliz Páscoa !

2:17 da manhã  
Blogger Dad said...

Augusto,

Que estes dias, apesar da chuva, sejam de paz, serenidade e amor,

Beijinho,

10:35 da manhã  
Blogger contradicoes said...

Um excelente post ao estilo a que já nos habituaste. É uma realidade indesmentível esta que invocas, pois somos todos nós os culpados da nossa
auto-destruição, porque tal como afirmas Gaia, não vai deixar que tal aconteça e quando perceber que estamos a ir longe de mais vai proteger-se, brindando-nos com aqueles fenómenos naturais devastadores por forma a obrigar-nos a repensar os erros que estamos a cometer. Só que chegará uma altura em que será tarde e já não haverá nada a fazer. Obviamente que isso já não acontecerá no nosso tempo. Votos duma Páscoa com saúde e alegria na companhia da família, com um abraço do Raul

12:01 da tarde  
Blogger AntropoLógica said...

Engraçado... é uma ideia a que recorro muitas vezes também, esta da analogia entre a relação Terra/Humanidade e a relação corpo humano/célula cancerígena. E infelizmente, quanto mais medito nela, mais me convenço da sua justeza... Em todo o caso, parabéns pelo texto. Para reler e fazer pensar. :)

Boa noite,
A.

1:30 da manhã  
Blogger Mendes Ferreira said...

olá querido A....

como me apetecia ser reciclada...melhores pulmões e sem ver nem ouvir....imagina como seria bom....mas enfim a vida esta lá tem de continuar....e vir aqui sempre melhora e de que maneira o meu sentir da humanidade....quer dizer...a minha opinião àcerca da tal inteligencia....neste caso a tua....! eu...eu sei lá....anda a apetecer-me pouco a Net...e pronto. vou-me. pelo caminho deixo uma estrada de beijos com direcção dupla....onde cabe a T. como é mais do que óbvio....Sorriso!

3:58 da tarde  
Blogger RPM said...

Boa tarde a todos,
Apenas para concordar convosco... A nossa desgraçada taxa de natalidade é regressiva há muitos anos, e hoje querem fazer-nos pensar que tal deve-se à fragmentação da família (a igreja diz isso); creio, contudo, que os factores económicos e a profunda crise política e civilizacional que a Europa atravessa, com fraco crescimento e com baixa produtividade & competitividade fazem com que a economia não dê garantias sociais aos jovens para se multiplicarem naturalmente, daí a retracção de fertilidade, o envelhecimento da população; e a fertilidade que existe tb começa a preocupar já que ser pai aos 45 começa a ser negativo para o crescimento dos rebentos.. Enfim, questões que vos deixo. Bem haja
ruipmatos e um abraço ali ao Raul
rpm

4:57 da tarde  
Blogger Leonoretta said...

ola augusto. obrigado pela substituiçao do selvagem pelo aguerrida.de facto... é melhor.
nao te quero obrigar mas a tua presença no culturalmente é imprescindivel.

pensa nisso.

abraço da leonoreta

7:25 da tarde  
Blogger Å®t_Øf_£övë said...

Augusto,
Realmente as discrepância entre os países ditos do primeiro mundo, e os países de terceiro mundo são tão grandes, e simultaneamente tão disparatadas e tão sem sentido, que talvez a hipotese que tu colocas seja verdadeira, e talvez seja ela que dá algum sentido a nós vermos o que se passa por exemplo em Africa. Talvez Africa seja como é por ser ela a ir salvar o mundo. Não me parece tão disparatada assim a tua teoria.
Boa semana.
Abraço.

9:26 da tarde  
Blogger Mendes Ferreira said...

uma hipótese: a T. fechou????
uma realidade: amo-os!

10:23 da manhã  
Blogger hfm said...

Um texto a que voltarei mas com uma lógica impressionantemente bem explicada. Obrigada, Augusto.

6:27 da tarde  
Blogger Sofocleto said...

Augusto,

Convenceste-me a comprar imediatamente um bilhete de avião para o meu filho ir para Angola ou Moçambique. É melhor para Moçambique, que não tem petróleo!

Um abraço

6:36 da tarde  
Blogger Rudolfo said...

Muito perspicaz este assunto! Além de estar bem escrito, não é de forma alguma debate-lo, apenas aligeirando ou agravando as consequências, porque as suas implicações serão muito mais para além de qualquer lógica. O obvio nunca tem explicação... Acontece.
Saudações!

7:14 da tarde  
Blogger lazuli said...

a hipótese de Gaia será talvez a solução, gostei juito das tuas deambulações (muito credíveis..) sobre o reinício duma nova humanidade, ou seres alternativos, diferentes do ser humano actual.
Tudo começa e acaba e se reinicia..como a história da Arca de Noé. Um dia tudo acabará naturalmente mas tenho fé...sim, fé..que antes disso o homem encontrará as soluções para adiar esse fim, nem que seja viajando para outras galáxias.

Bejo, Augusto

4:08 da manhã  
Blogger Å®t_Øf_£övë said...

Augusto,
Vim ver se havia novidades por aqui.
Deixo-te um abraço.

10:25 da tarde  
Blogger Dad said...

Eu acredito que África será mesmo o continente do futuro da humanidade. Está mais limpo que todos os outros, em quase todos os sentidos...
Vamos lá ver até quando...
De qualquer forma, muito bom post para nos pôr a pensar no actual(destrutivo) e no futuro (incerto) dessa nossa Humanidade..
Beijinho Augusto,

10:52 da manhã  
Blogger Mendes Ferreira said...

pois é...........vim deixar apenas uma pégada irrealmente real...de caminho deixo beijos. duplos.

3:37 da tarde  
Blogger zecadanau said...

Eu cá discordo totalmente de quase tudo o que afirmaste, como deves calcular, eh,eh,eh!
Eu acredito "noutra coisa" bem mais racional (outra provocação).

Um @bração do
Zeca da Nau

12:38 da manhã  
Blogger martelo said...

acredito que África poderá vir a ser o grande manancial da vida e da continuidade...isto, em contradição com com os acontecimentos bárbaros da doença e da exploração actuais, mas se até num deserto pode nascer uma flor...

1:44 da tarde  

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