sábado, fevereiro 18, 2006

Japão


Embora a imagem do Japão actual não deixe transparecer, a civilização nipónica foi a última a sair do período Pré-Histórico, no contexto do desenvolvimento humano.
Não existem certezas sobre a origem do povo japonês. Os estudos efectuados até ao presente sobre a sua Pré-História, ainda não chegaram a uma conclusão definitiva.

O paleolítico

Os estudos geológicos confirmam que até há cerca de 10.000 anos aC, o Japão esteve ligado ao continente asiático. Fósseis da fauna existente no continente, como o rinoceronte e o elefante etc. foram encontrados em muitos pontos do país.
Por volta dessa época, ocorreu um aumento universal das temperaturas e devido ao degelo dos pólos o nível do mar subiu, dando origem ao actual arquipélago ficando a sua população isolada nele.
O arquipélago japonês foi habitado pela primeira vez há mais de 100.000 anos, quando ainda era uma parte da massa de terra do continente asiático.
As evidências arqueológicas mostram que esses primeiros habitantes não possuíam residência fixa, migravam constantemente à procura de alimentos. Abrigavam-se em cavernas e viviam principalmente da caça e da recolecção. Desconheciam o uso do fogo, de lanças ou flechas para caçar.

O Neolítico ou período Jomon (7.500 aC a 300 aC)

Enquanto o Japão esteve ligado ao continente, foi palco de diversas migrações umas vindas da Ásia setentrional e outras do sudeste asiático, não se sabendo se os primitivos homens do Paleolítico desapareceram ou se miscigenaram com os novos povos dando origem a uma nova raça, o antepassado do actual povo japonês, criando ao mesmo tempo uma língua comum, o japonês original.
O Neolítico iniciou-se no Japão há cerca de 7.500 anos, com o polimento da pedra e a confecção de objectos de cerâmica. Este período tem o nome de Jomon porque a cerâmica característica dele tinha uma decoração peculiar, em forma de corda e Jamon significa justamente isso: “decorações cordiformes”.
No período Neolítico o Japão está isolado do continente, pois não possuía embarcações capazes de fazer viagens entre o arquipélago e o continente. Durante vários milhares de anos vive sem contacto com a cultura continental.
Os habitantes que no princípio do período continuam o seu modo de viver da época anterior, com um enorme esforço, devido ao isolamento, criam e desenvolvem uma cultura neolítica.
O uso da cerâmica denuncia a utilização do fogo. São encontrados restos de conchas, ossos de peixes e animais e vários tipos de instrumentos usados pelos homens dessa época.
Usam flechas com pontas de pedra e caçam javalis e veados. Usam arpões e anzóis toscos feitos com ossos de animais, o que noticia que já havia uma navegação costeira.
Para cozinhar ou guardar comidas usavam podes de barro.
Neste período já os japoneses primitivos possuem habitações temporárias. Apresentavam forma quadra ou rectangular com os cantos arredondados. Esta forma grosseira de habitação continuará a ser usada durante muito tempo pelos camponeses, mesmo após a formação do Estado Yamato.
Os primitivos Japoneses ignoram durante milénios a agricultura e como domesticar ou criar animais.
Formavam pequenas aglomerações de casas. No fim do Neolítico as concentrações populacionais tornam-se maiores e diversificam os instrumentos de argila, pedra e osso.
Numa sociedade como esta, em que a vida económica se baseia na colecta de frutos naturais, somente uma união entre seus membros pode assegurar a sobrevivência da comunidade. Todos trabalham juntos, os instrumentos necessários às actividades económicas constituem propriedade comum, não existe diferença entre ricos e pobres.
No modo de enterrar os mortos, verifica-se a inexistência de diferenciação de classes, sendo todos sepultados do mesmo modo. Os mortos, enterrados sem caixão, têm os braços e as pernas dobrados com enormes pedras sobre o peito. Não existe o túmulo propriamente dito.
Ainda não tinha nascido a ideia de antepassados, que em épocas posteriores se torna uma das características da cultura nipónica. Os homens formam uma comunidade de elementos ligados por parentesco. Constituem-se em grupos que não podem ser tribos, porque não possuem caciques.
Acreditam em magia, segundo se deduz das imagens de deuses e grandes macetes provavelmente usados em feitiçarias. Na vida baseada na pesca, caça e recolecção, os homens temem ao extremo a violência da natureza.
Os Japoneses do período Jomon acreditam que o Sol, a Lua, as estrelas, o tufão, rios, montes, árvores, animais e aves possuem alma. Por isso criam cultos a rochas e a árvores gigantes, mais fortes que o homem. Surge o recurso à magia. Para se protegerem das iras das almas ou delas se livrarem criam a feitiçaria.

Idade dos Metais ou período Yayoi (300 aC a 300 dC)

O período Yayoi é assim chamado, pela cerâmica encontrada na actual região de Yayoicho, em Tokyo. Durou cerca de 600 anos e nele ocorreram algumas das mais importantes revoluções do quotidiano do povo nipónico.
A descoberta da tecelagem permite que os japoneses abandonem as roupas de peles de animais, substituindo-as por roupas de tecido.
O aparecimento da roda de oleiro propicia um grande desenvolvimento da cerâmica.
A cerâmica Yayoi era caracterizada por linhas suaves e superfícies polidas, por vezes pintadas com desenhos geométricos, mostrando já um certo aperfeiçoamento técnico.
A cerâmica não tinha só um aspecto funcional, como também ritualista. Potes grandes, colocados boca com boca, eram usados para enterrar os mortos.
Esta não era a única forma de enterrar os mortos. Dólmens iguais aos que foram encontrados na península coreana, eram muito comuns, tal como as necrópoles com caixões individuais de madeira ou pedra. Na última fase do período Yayoi, alguns chefes e suas famílias eram enterrados em sepulturas escavadas em plataformas rectangulares. Estas sepulturas são vistas como as precursoras dos grandes túmulos do século IV e V. Em contraste com o período Jomon, são evidentes nas sepulturas os sinais de diferenciação de classes.
As casas passam a ser construídas com materiais mais duráveis, melhorando radicalmente a qualidade de vida da população. Eram ovais com cerca de 8 por 6 metros. Os tectos de colmo, eram suportados por traves assentes em quatro postes robustos enterrados em fossos para evitar que as casa se afundassem.

No entanto a grande melhoria que o período Yayoi trouxe aos japoneses foi, sem sombra de dúvida, o avanço das técnicas agrícolas, permitindo o cultivo do arroz, que rapidamente se tornou a sua principal fonte de alimentação.
Cultivado na bacia do Yangzi, na China, desde o ano 5.000 aC, era igualmente cultivado na península do Coreia desde 1.500 aC. Foi assim que pequenos grupos do continente levaram esta cultura para o Japão e aí adoptada nos finais do período Jomon.
Foi durante a dinastia chinesa Han (206 aC a 220 dC) que a civilização do ferro chegou à Coreia. Daí passou ao Japão. O Japão, assim, beneficiou da política expansionista dos imperadores Han, visto que o estabelecimento por estes soberanos de distritos coloniais na Coreia facultou ao Japão o acesso aos bens culturais do continente.
Se a introdução dos metais por lado vem facilitar a vida por outro fomenta as lutas entre clãs, que formam a estrutura da sociedade. O domínio da técnica de trabalhar o metal, adquirido alongo destes séculos, incrementa o desenvolvimento social e estético do país.
É no período Yayoi que começa a aparecer uma organização nas aldeias e um poder político local. O controle da agricultura, dos metais, da irrigação e da produção de arroz, concedeu a alguns chefes a possibilidade de dominarem os povos vizinhos.
A unidade social deste período era o clã, dirigido pelo membro mais idoso, o qual, simultaneamente exercia as funções de sumo sacerdote e tomava as decisões de carácter administrativo, jurídico e militar.
Neste período, alguns clãs começaram a preponderar sobre outros, e as crónicas chinesas da época citam cinco Reis de Wa (Japão). Em 57 dC, o Rei Nu, um dos cinco reis, recebe um foral de ouro do imperador chinês, onde está escrito a seguinte frase: “Ao Rei Nu, de Wa, vassalo de Han”. Han era a dinastia reinante naquela época na China, e com base neste facto muitos historiadores defendem a tese que, nos seu primórdios, os vários chefes de clãs do Japão foram tributários do Império Chinês ou dos Reinos Coreanos.

14 Comments:

Blogger Zecatelhado said...

Este blogue é uma enciclopédia cultural a sério. Bravo amigão, muitos parabéns e obrigado.

Um @bração do
Zecatelhado

8:55 da tarde  
Blogger Carmem L Vilanova said...

Amigo,
O comentário anterior disse exatamente o que eu desejava dizer... o teu blog é uma verdadeira enciclopédia cultural e vir aqui é um prazer imenso... eu, particularmente, aprendo muitíssimo!
Beijos e muitos sorrisos!

5:35 da manhã  
Blogger Dad said...

É bom encontrar um blog como o seu que nos fornece tanta informação interessante. Obrigada!

12:03 da tarde  
Blogger Menina_marota said...

Fantástico este Post. Adorei ler-te!!

Um abraço e boa semana ;)

12:15 da manhã  
Blogger Mendes Ferreira said...

não posso ter gostado mais....Augusto!


fabulosa "viagem". Mt obrigado ou "arigato"....


beijos. na elegância japonesa. e outro para a ST....

9:29 da manhã  
Blogger lazuli said...

A tua marca registada, Augusto.
Um texto que dá gosto ler, um exemplo de que se pode aprender, sorrindo de prazer, não demasiado grande mas sintético, sério, e com umas fotografias que complementam bem o que se encontra escrito. Parabens meu amigo!
Beijos

6:50 da tarde  
Blogger wind said...

Vim aqui responder-lhe ao que colocou nos comentários do meu blog.
1º- quando me referi à sala, não teve nada a ver com conotação política, mas sim por ser pequena para quem fuma.
Esclarecido?
2º Não acho de bom tom, nem é certo quem fuma levantar-se no meio do jantar e ir fumar para o bar ou corredor.
O tempo da censura para mim já acabou!
Sou livre e quando me puserem amarras espeneio, como estou a fazer agora.
como quem está mal sou eu, não vou e os que não fumam que sejam muito felizes!

10:08 da tarde  
Blogger wind said...

Volto para lhe responder ao 2º comentário que deixou no meu blog. O sr. é que está a ser mal educado e fundamentalista anti-tabaco! o tabaco não é o meu conceito de felicidade, mas quem não entende isso , é preciso ser muito curto de vistas!
E páro por aqui, mesmo que me ataque mais.

10:27 da tarde  
Blogger Å®t_Øf_£övë said...

Augusto,
sempre que cá venho saio daqui mais rico, porque levo comigo mais sabedoria.
Desta vez aprendi mais um pouco de história.
Obrigado pela partilha.
Boa semana.
Abraço.

1:34 da manhã  
Blogger dulce said...

Sempre aprendendo aqui neste cantinho.
Beijos para ti

5:07 da tarde  
Blogger hfm said...

Belo trabalho, como sempre.

10:43 da manhã  
Blogger A Rapariga said...

Grande lição! Gostei de ler o que já tinha lido anteriormente...
Beijocas para ti e para os gatos.

1:39 da tarde  
Blogger martelo said...

Não fôra estas leituras e saberíamos bastante menos...às vezes nem tempo temos.
um abç

10:58 da tarde  
Blogger susana said...

para quando uma lista bibliográfica? tem alturas que gostaria de investigar mais. estes "teasers" são muito bons.

2:53 da tarde  

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