sexta-feira, fevereiro 03, 2006


O Rei Escorpião, verdade ou lenda?

O Rei Escorpião, Serket, conhecido através do filme com o mesmo nome, é uma figura do Antigo Egipto, com alguma controvérsia quanto à sua suposta existência. As figuras e referências a este rei do Egipto pré-dinástico não chegam para provar a sua existência.
Os egiptólogos têm longamente debatido esta questão. Alguns pensam mesmo que “Escorpião” foi o mais antigo nome da figura identificada nas fontes históricas como o primeiro chefe do Egipto unificado, o rei Menes.
Em 1898, durante as suas escavações no templo de Hierakompolis, foi descoberta uma grande clava que mostra um rei com a coroa do Alto Egipto. Esse rei tem na sua frente uma flor e por baixo um grande escorpião a identificá-lo. Juntamente com essa grande clave descobriu-se uma outra mais pequena que, segundo especialistas, mostra o mesmo Rei Escorpião sentado num trono com a coroa do Baixo Egipto, tendo na sua frente um falcão a atacar um inimigo.
Recentemente, arqueólogos alemães escavando em Abydos, onde os primeiros reis do Egipto unificado foram enterrados, descobriram uma grande tumba, onde muitos dos jarros encontrados tinham o símbolo do escorpião. Estas novas evidências passaram a fazer parte do debate. Contudo, os nomes dos mais antigos reis do Egipto estavam escritos numa forma rectangular (serekt) símbolo do palácio real, e não escritas com o símbolo do escorpião.
Muitos modelos de escorpião foram encontrados no templo em Hierakompolis. O escorpião cravado na cabeça do macete é mostrado com uma pequena cavilha, pela qual pode ter sido ajustado a um ceptro. Neste caso pode significar alguma coisa mais do que um nome pessoal, podia ter sido um símbolo de poder.
Um casal de estudiosos norte-americanos, afirmam ter encontrado o mais antigo registo escrito humano, com 5.250 anos de idade, ou seja de cerca de 3.250 a.C. num oásis egípcio.
Os desenhos estilizados, feitos numa placa calcária de 50 cm de comprimento, que podem confirmar o Egipto como um dos berços da escrita, trazem indícios sobre um monarca mítico, o Rei Escorpião.
O desenho relataria, de acordo com os egiptologos americanos, o retorno do Rei Escorpião à cidade Abydos, depois de vencer um rival em Naqada. A identificação do mítico rei foi feita porque a imagem estilizada de um falcão aparece sobre um escorpião no texto. A ave é o símbolo do deus Horus (que tem a cabeça de um falcão) e era usado como sinónimo de rei pelos egípcios.
Mesmo com estas evidências, a maior parte dos cientistas continua séptica quanto à possível existência do Rei Escorpião, aguardando o aparecimento de mais provas conclusivas, contudo, não nega a possibilidade.
No caso do Rei Escorpião, também designado por Horus Serek, ter sido mais do que uma lenda, terá sido um soberano e guerreiro, que reinou entre cerca de 3150 e 3100 a.C., no fim da época pré-dinástica, quando o Egipto ainda não estava unificado.
O Egipto desse tempo estava dividido em duas regiões, o Baixo Egipto, no delta do Nilo e Alto Egipto, as terras do deserto.
O Rei Escorpião teria pertencido ao Alto Egipto, por isso a sua coroa branca. Poderá também ter sido durante o seu reinado que o reino do Alto Egipto, começou a expandir as suas fronteiras em direcção ao Baixo Egipto, o que pode explicar o aparecimento do rei, também, com a coroa vermelha do Baixo Egipto. Neste caso teria sido o Rei Escorpião o primeiro a tentar a unificação do Egipto num só reino, antes de Menes.

18 Comments:

Blogger dulce said...

Queda para a História? Sempre aprendo algo aqui. Vou dar o endereço do teu blog a uma amiga q adora História do Egipto. Ela virá aqui concerteza.
Um beijo para ti e bom fim de semana

10:04 da tarde  
Blogger Mendes Ferreira said...

B.E.I.J.O.


B.E.I.J.O

BEIJO SOLIDÁRIO. SEMPRE.

12:11 da tarde  
Blogger hfm said...

Outro dos teus posts que não se podem perder.

10:41 da manhã  
Blogger Zecatelhado said...

Este blogue está interessantíssimo quanto à temática abordada.
Amigão; Li por aí algures ( já não sei onde) que não ias a Santarém porque não tens carro? Era só o que faltava! Manda-me um mail.

Um abração do
Zecatelhado

3:47 da tarde  
Blogger PreDatado said...

No blog do Augusto aprende-se sempre.

6:46 da tarde  
Blogger lazuli said...

Concordo com o predatado.
E mais não digo, que estou ainda a ler..

Beijos

10:28 da tarde  
Blogger Geosapiens said...

...óptimo este post...olha pus um anuncio no meu Blog...se quiseres participa...um abraço...

5:56 da tarde  
Blogger Leonoretta said...

"o tempo é subjectivo á ansiedade ou á recusa".
muito bonito augusto. adorei.

estas coisas que colocas aqui são muito interessantes. quem te visita fica sempre a ganhar.

abraço da leonoreta

8:38 da tarde  
Blogger LetrasaoAcaso said...

Sou um "egiptólogo" compulsivo.
Gostei muito de toda a abordagem que o amigo fez à temática.
Curiosamente muita gente não sabe que Napoleão foi o pai da moderna egiptologia. Homem culto, não foi apenas um militar brilhante. Aquando da campanha do Egipto levou consigo historiadores, antropólogos, etc e com eles formou a Academai das Ciências que conmduziram em última análise à descodificação dos hieróglifos com a pedra de roseta.
Um abraço

7:17 da tarde  
Blogger Peter said...

Meu caro António, se quiser ler algo sobre a "expansão do universo", escrevi o "comment" de propósito para si.

Abraço

8:58 da tarde  
Blogger Mendes Ferreira said...

a história repete-se?


beijo sem mordidela de escorpião...:)

9:21 da manhã  
Blogger Júlia Coutinho said...

Querido Augusto, deixo-te o mesmo comentário que deixei ao Fernando e ao Firmino, porque se destina aos organizadores do nosso último encontro. Um beijo.

Desculpem, mas só hoje me sinto em condições de aqui colocar algumas observações sobre o nosso Jantar/Encontro do passado dia 28, no restaurante da A25A.
1. O local foi muito bem escolhido. Muito central, perto da Baixa, bem servido de transportes, incluindo metro. Estou certa que quem se deslocou a Lisboa para o efeito, agradeceu. E eu também, que não tenho carro. Mas mesmo para esses, o local dispõe de vários parques de estacionamento.
2. O restaurante é óptimo. Muito boa comida, muito bom serviço. Uma boa relação preço/qualidade. Tivemos liberdade para conversar e conviver quanto quisemos, sem nos colocarem restrições nem nos mandarem para a rua. Estivemos inteiramente à vontade.
3. Único senão: o fumo.
Não se pede aos fumadores que não fumem, mas exige-se que minimizem os efeitos negativos desse seu vício naqueles que não partilham esse gosto.
Havia que encontrar formas de conciliação. E isso não foi sequer equacionado. Nem as pessoas se inibiram de fumar menos, nem foram para outras salas, nem deixaram abrir as janelas. De notar que uma janela aberta obrigaria apenas alguns a mudar de lugar. Coisa pouca. Quanto aos não fumadores não lhes foi dada outra alternativa que a de ficarem doentes ou virem embora...

Os meus parabéns ao Fernando, ao Augusto e ao Firmino.
Obrigada pela vossa generosidade.
Duvido que haja outros grupos blogueiros que tenham uma organização tão boa quanto a nossa !

12:42 da tarde  
Blogger Carmem L Vilanova said...

Amigo,
Depois de quase duas semanas de gripe intensa venho para saber de ti e ler as tuas novidades!
E, claro, aproveito para deixar-te muitos beijos, flores e muitos sorrisos!

11:04 da tarde  
Blogger Å®t_Øf_£övë said...

Augusto,
Estas questões historicas, e ainda para mais tão antigas são sempre muito fascinantes.
Nos nossos dias ainda se mantêm as duvidas, quem sabe um dia haverá certezas quanto a este tema especifico e a muitos outros do genero deste.
Abraço.

11:23 da tarde  
Blogger H. Sousa said...

Afinal já se descobriu a origem da governação escorpiónica.
Mas vinha anunciar também o próximo jogo, a realizar no Estádio das Trevas, entre as equipas de Cristo e de Maomé.

11:03 da manhã  
Blogger Mendes Ferreira said...

hum hum hum....um hum para dividir lá por casa....até pq. tem uma mulher fabulosa....e não encontro o blog.... coisas!

e vou-me. a "historiar" a lenda dos nossos dias....confusa e intolerante.

beijos.

3:59 da tarde  
Blogger Paula Raposo said...

Esta é uma das matérias que me causa mais dissabores!! Detesto e tenho que fazer a cadeira de Cultura Clássica em qualquer dos cursos de Letras...Enfim. Quanto ao comentário da Júlia, a minha opinião ficou no sopadenabos. Para ti, Augusto, um grande obrigada, pode ser que eu comece a gostar desta História!! Beijinhos.

4:56 da tarde  
Blogger MARLOS SILVA said...

OS HISTORIADORES SEMPRE DUVIDOU D ENCHENTE DE NOE E ENCONTRARAO REGISTRO POR TRAZ DE TODA LENDA TEM UMPOUCO DE VERDADE AS HISTORIAS SAO DESTOÇIDAS PELO PASSAR DO TEMPO MAIS A ORIGINAL EO ENCHENTE ESCRITA POR GIGAMESH

3:32 da tarde  

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