sábado, maio 14, 2005

O Canto dos Nibelungos



Quando o fluxo das invasões germânicas abrandou, a recordação dos heróis e dos acontecimentos, perpetuaram-se na tradição. À maneira dos poemas homéricos, desenvolveram a pouco e pouco, grandes epopeias.
A mais célebre ficou sendo o Canto dos Nibelungos, que relata a história da casa real de Borgonha e do seu trágico destino. Historicamente é baseada na destruição, pelos Hunos, do pequeno reino que os Burgúndios tinham estabelecido no Palatinado.
Os Nibelungos constituíam um ou mais grupos de anões na mitologia germânica. Eram também, chamados filhos da névoa. Possuíam um tesouro que tornava amaldiçoado todo aquele que dele se apoderasse. Mais tarde os reis borgonheses passaram a ser chamados de Nibelungos.
Há diversas versões desta história, sendo a mais verosímil, a que é contada nas Eddas islandesas, poema que transcreve a tradição oral da Islândia, escrito entre 1000 e 1300.
Os poemas são literatura de grande tragédia, com descrições dos estados emocionais vividos pelos protagonistas, deuses e heróis. As mulheres têm um papel muito importante, e muitas delas são apresentadas como hábeis guerreiros.
Saga muito longa, O Canto dos Nibelungos, vou apresentar somente um resumo dos principais acontecimentos.

O herói, quase ausente, do poema é Siegfried, um belo príncipe de Niederland, guerreiro audaz que adquiriu uma ofuscante glória nos torneios e nas matanças, e por uma vitória que alcançou sobre o rei Nibelungo, tomando posse do célebre tesouro dos Nibelungos.
Siegfried, apaixonado, obtêm a mão da bela princesa burgúndia Kriemhilde, não menos apaixonada por ele, oferecida pelo irmão desta, o rei Gunther dos Burgúndios, em recompensa da ajuda que Siegfried dera na sua luta contra a «bela rainha Brunehilde de Isenland»
Segundo as crenças germânicas antigas, Brunehil era uma poderosa valquíria, que tanto tinha de bela como violenta. O homem que aspirasse à sua mão tinha de vencê-la num combate de vida ou de morte.
Sem a ajuda de Siegfried, nunca Gunther teria podido vencê-la. Siegfried possuía um manto mágico que o tornava invisível; embrulhando-se nele e, sem que Brunehilde pudesse notar a sua presença, ajudara Gunther na sua luta contra a terrível guerreira.
Em Worms, capital dos Burgúndios, foi celebrado um duplo casamento: o de Gunther e Brunehilde e o de Siegfried com Kriemhilde.
Durante doze anos, todos viveram felizes. Mas, um belo dia, as duas mulheres discutiram sobre qual dos dois maridos era o mais valente. Kriemhilde, fora de si, no auge da discussão, revelou, na sua cólera, o segredo do manto.
Ferida no seu orgulho, Brunehilde jurou a morte de Siegfried e conseguiu persuadir o marido a matar o cunhado, que era o seu melhor amigo.
No decurso de uma caçada, Gunther pôs em prática o plano diabólico, ajudado pelo seu fiel Hagen. Este abateu Siegfried à traição e recebeu de Gunther, como recompensa, a célebre espada Balmung. Depois, o rei dos Burgúndios e seus irmãos apoderam-se do tesouro dos Nibelungos.
Após a morte violenta de seu marido, a doce Kriemhilde, transformou-se por completo, passando a viver somente para vingar a morte Siegfried. Para conseguir os seus fins alia-se a Átila, rei dos Hunos, prometendo casar-se com ele e convence-o a convidar Gunther e a sua nobreza para o seu casamento na Hungria. Deste séquito faz igualmente parte Hagen, cuja atitude é extremamente insolente e provocante. Pavoneia-se com a espada Balmung e vangloria-se abertamente de ter morto Siegfried.
O rei ostrogodo, Teodorico-o-Grande, que tinha perdido o reino, vivia exilado na corte de Atila, também irá desempenhar um papel no Canto dos Nieblungos.
A chegada dos Burgúndios à Hungria é o começo de uma série de querelas sangrentas. Os Burgúndios do séquito são mortos um por um e Gunther e Hagen são feitos prisioneiros.
Levados à presença de Kriemhilde, esta mandou matar o seu próprio irmão e com a espada Balmung nas suas mãos, decapitou Hagen.
Conseguida a vingança, Kriemhild recusa-se a casar com Átila; mas o casamento realiza-se porque a mãe de Kriemhilde consegue que ela beba uma punção mágica.
Mais tarde é Atila quem mata os irmãos de Kriemhilde, a fim de se apoderar do tesouro dos Nibelungos. Kriemhilde está inocente nesta traição e vinga os seus irmãos matando Átila. É verdade que os seus irmãos lhe tinham causado muitas amarguras, mas vingar os irmãos é uma acção sagrada a que não poderia fugir uma filha do rei germânico.

Inspirado no Canto dos Nibelungos Wagner compôs a maior saga dramática que já mais foi posta em música: O Anel dos Nibelungos, divido em quatro dramas, O Ouro do Reno (1854), A Valquíria (1856), Siegfried (1871) e o Crepúsculo dos Deuses (1874). Juntas, esta tetralogia tem quase 20 horas de duração musical.

17 Comments:

Blogger Leonoretta said...

Átila, grande assassino. Por onde passava a erva nunca mais crescia. Tal era o seu grande poder destrutivo. curiosamente foi considerado herói nacional há poucos anos. Incrível.

8:49 da tarde  
Blogger BlueShell said...

Mas 12 anos podem passar muito depressa!... E o diabólico...colocou o seu plano em acção! Não sabia desses pormenores...claro!
( por momentos fizéste-me lemn~brar "Eurico, o Presbítero, de Alexandre Herculano - sempre gostei do raio da obre...o cavaleiro Negro, hermengada...)

[Sou muito distraída...e depois acontecem-me coisas assim esquisitas...como deixar cair a saia...Tu nem imaginas as coisas estranhas que me acontecem...hhehheh]

MIL BEIJOS

BShell

8:52 da tarde  
Blogger Gustavo Almeida said...

Olá AugustoM. Hoje tocou numa das histórias que mais têm inspirado e intrigado os europeus. Em bom rigor, e como o demonstrou, todos os dados e elementos se jogam em redor dos valores da fidelidade e da verdade. Com efeito, tudo e todos os que não estiverem de acordo com os mesmos, acabarão, mais tarde ou mais cedo, por ver os seus próprios efeitos engolirem-nos.

Quanto a Richard Wagner e às obras reunidas sob o título de Anel dos Nibelungos, trata-se de um dos mais brilhantes e psicológicos conjuntos musicais, independentemente de estarmos perante ópera, que, aliás, amo.

11:12 da tarde  
Blogger hfm said...

Gosto destas histórias e da forma como as contas. Siegefried e Brunilde... os imaginários.

2:11 da tarde  
Blogger BlueShell said...

já cá estou de novo...
Hoje estou assim...um pouco triste e só! BShell

6:43 da tarde  
Blogger aba said...

Esta história não está demasiadamente resumida? :)
Gostei francamente de lêr..
Vou ouvir Wagner com mais atenção.
Abraço

8:25 da tarde  
Blogger oasis dossonhos said...

bem hajas pela dica sobre o Fraternidade.Assim que te li, escrevi um novo post sobre o assunto. Obrigado também pelas simpáticas visitas.
Abraço

9:44 da tarde  
Blogger Carmem L Vilanova said...

Muito bom saber tudo isso... Grata sempre por compartilhar conosco todas estas informaçoes, poemas, textos, tudo, enfim!
Bjs e uma linda semana que se inicia!

7:23 da tarde  
Blogger paopbocca said...

gostei francamente de ler, Wagner e o Anel dos Nibelungos conheço bastante bem. amo ópera e Wagner é um dos meus compositores favoritos.
contaste tudo muito bem e explanaste-te à vontade.
assim mesmo é que é
abraço

8:26 da tarde  
Blogger dale music said...

Dale is in da house!

11:31 da manhã  
Blogger AMAFAS said...

Sempre fui fã da palavra Nibelungo! Tem mais força que as outras. Foi o que ouvi dizer! Mas também já ouvi dizer que faz cerca de 3 horas de ginásio por dia... Invejas!

4:49 da tarde  
Blogger BlueShell said...

Olha...não sei...tenho de falar primeiro com o meu marido...e ver se alguém me fica com a minha mãe. ( Não vai ser fácil...)

Eu estou bem.
Jinho, BShell

6:31 da tarde  
Blogger Fernando B. said...


Estimado Augusto,

Os teus textos não podem, nem devem ser lidos/estudados de ânimo leve, como tal, só hoje me atrevi a ler mais este e a ficar um bocado mais enriquecido de Conhecimento.

Sobre o resumo, feito de forma brilhantemente acessível, que fazes deste mito, que terá muita verdade contida, confirmamos aquilo que temos aprendido através do estudo da História da Humanidade, que o dito Ser Humano, do Oriente ao Ocidente, tem o Corpo e a Mente, manchadas de sangue e ódio.

Hitler, um dos muitos facínoras da Humanidade, tinha pelo menos uma qualidade. Apreciava Wagner, muito embora as sonoridades do Mestre, fossem uma das fontes inspiradoras para os seus delírios monstruosos.

Queria escrever algo mais, mas esta malvada gripe que me afecta há uma semana ainda manifesta as suas sequelas.

Um Abraço,

5:28 da tarde  
Blogger Biranta said...

Amigo Augusto,
Agradeço a sugestão, quanto ao jantar do aniversário do Fernando, mas acontece que não posso estar presente (a não ser que aconteça algum imprevisto). Acho que ainda vai ter que ficar para uma próxima oportunidade...

1:44 da manhã  
Blogger Adryka said...

Essa hist´ria é tocante acho que todos nós sabemos um pouquinho dela, mas é sempre bom saber que um amigo a escreve tão profundamente. Beijo para ti

2:12 da tarde  
Blogger Estrela do mar said...

...@miguinho..logo que comecei aos pouquinhos a comentar alguns blogs...senti uma enorme vontade de continuar com o meu...e assim fiz...

Um beijinho*.

2:20 da tarde  
Blogger siusi said...

VI O FILME HOJE DE MANHÃZINHA, E FIQUEI COM 3 ASSUNTOS EM VOLTA DA CABEÇA, A MAGIA, A TRAIÇÃO, A RIQUEZA, E ACHO Q O IMPEDIMENTO DO AMOR , O QUARTO ASSUNTO ENTAO.OBRIGADA PELA SINOPSE, PAZ E BEM

5:05 da tarde  

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