quarta-feira, maio 04, 2005

Séptico não, só apreensivo



A comemoração do sexagésimo aniversário do fim da 2ª Guerra Mundial, relembrou-me o palco, os actores e o libreto, desse acto da Grande Ópera da Vida da Humanidade. Ao reler o libreto, para recordar o enredo, veio-me à ideia aquilo a que chamamos a construção da União Europeia.
É facilmente compreensível que uma das formas da Europa fazer frente ao voraz gigante económico americano e ao aparecimento das novas potências asiáticas, fosse o desejo de uma União forte formada pelos Estados europeus.
Contudo, o desejo da formação dessa União, não emergiu da vontade expressada pelos povos europeus, mas tão somente de alguns líderes, sem que para tanto tivesse havido uma consulta popular prévia que legitimasse esse desejo.
Passando o desejo à vontade, resolveram os líderes que o melhor para a Europa seria fazer uma União de interesses, transformando a mentalidade de vizinho antagónico, numa espécie de irmandade de inter ajuda, procurando internamente na Europa, o nivelamento das desigualdades sociais entre os diversos membros.
Mas da vontade à prática, vai uma vivência de quase 1.300 anos de disputas mesquinhas, invejas, rivalidades, conquistas, massacres e guerras como a que estamos a comemorar o seu final; em fim, um estado de guerra quase permanente entre os povos europeus, fazendo lembrar a Antiga Grécia, onde o individualismo das Polis se sobrepunha ao interesse da Hélade.
Numa Europa tão rica como egoísta culturalmente falando, com cada povo cioso da sua superioridade cultural em relação aos outros membros, querendo que uns sejam filhos e os outros bastardos, e onde os mais numerosos ou mais ricos se julguem com mais direitos, não estando por isso interessados num verdadeiro nivelamento social, mas sim no aproveitamento que os mais fortes podem fazer dos mais fracos, que União será possível?
Como podem ser esquecidas as rivalidades centenárias, as divergências religiosas, a sub valorização da língua, a sujeição a decisões "estrangeiras", a livre circulação e concorrência no trabalho? Só os que mais podem receber, estarão de acordo, enquanto os que têm de despender manifestarão o seu descontentamento.
É neste antagonismo que se está a alicerçar a União Europeia, onde os europeus há 60 anos, só ainda há 60 anos se destruíam mutuamente. Estará o ódio esquecido ou adormecido?
Sabemos que a necessidade faz a união e a união faz a força, mas quando vimos a rendição de alguns líderes ao poder americano, no caso do Iraque, é caso para perguntar onde está a União que nos querem vender? ou a União funciona conforme os interesses? Se são os próprios líderes, que apregoam a necessidade da União, a dar o exemplo da desunião, que esperar do povo, especialmente em tempo de crise económica como a que atravessamos. Talvez a resposta venha de França.

15 Comments:

Blogger Carmem L Vilanova said...

Às vezes paro e fico a pensar... Será que a Guerra realmente acabou?...
Bjs!

12:22 da manhã  
Blogger BlueShell said...

...e quem não ficaria???
Jinho, BShell

12:38 da manhã  
Blogger Alexandre Narciso said...

Sou a 100% a favor de uma União Europeia. A unica forma de sobriviver no palco mundial será a união. EUA e China (citando as duas maiores potencias) são impossiveis de "combater" por qualquer das nações europeias de uma forma a "solo".
Porém sou a 100% contra à forma como a referida União tem sido levada a cabo. Sobretudo este ultimo alargamento foi um erro. Inserir 10 paises de uma acentada num grupo de 15, sem haver preparação só leva a uma desunião e a cada vez a um menor sentimento europeu. Mais de metade dos portugueses nem sequer sabe o nome de todos os 10 novos membros, muito menos localiza-los no mapa e muito menos as suas tradições. Dessa forma como podem pedir que se sintam europeus???
Bom artigo Augusto
Abraço

10:59 da manhã  
Blogger paopbocca said...

totalmente a favor de uma união europeia.a França vai dizer não, je crois, por interesses que são os deles e que até se podem compreender, se virmos com os olhos dela França.
também estou contra esta última "adesão" de países membros, nós por cá todos bem...portugueses valem 0.
gostei do artigo.

1:13 da tarde  
Blogger J.C.Pereira said...

U.E. dos interesses ? e a U.E. das Nações ?Alguém que me explique como isso se faz.Não estarão os povos da Europa a embarcar (uns mais do que outros) numa gigantesca mistificação que quer tornar possivel o impossivel ? Ou isto é para fazer à força ?...
JCP

3:17 da tarde  
Blogger Yardbird said...

Talvez sim, Augusto. Mas não me parece que um não da Farnça vá resolver alguma coisa
Um abraço

7:51 da tarde  
Blogger BlueShell said...

Voltei para agradecer tua visita. Jinho, BS

8:33 da tarde  
Blogger Leonoretta said...

olá Augusto
perguntas como podemos esquecer tantos séculos de rivalidade e luta europeias?

muito fácil...
acredito muito no entendimento franco e honesto do homem não como cidadão de um estado mas como pessoa humana, uma ser capaz de pensar e achar a solução de modo pacifíco só pelo facto de ter em conta a liberdade e a responsabilidade tão proclamados desde a revolução francesa.

9:24 da tarde  
Blogger Menina_marota said...

Hoje não quero falar de política...

mas sim...

agradecer a tua visita, ao meu blog... em construção... mas deixo-te aqui o endereço daquele, que é o meu verdadeiro refúgio...

http://eternamentemenina.blogs.sapo.pt/

Abraço ;-)

12:47 da manhã  
Blogger perplexo said...

Céptico. Sem ofensa!

1:05 da manhã  
Blogger Adryka said...

Essa guerra foi uma das mais horriveis para a humanidade, quando penso em tudo que se passou nesse tempo fico aterrada. Eu n/ consigo entrar numa cabine de choveiro de balneário, sem me lembrar do que passarm aquelas pobres pessoas. Beijos e Bfs

2:57 da tarde  
Blogger armando said...

As grandes guerras mundiais acabaram.
Hoje a verdadeira guerra são as desigualdades entre países pobres e países ricos, entre quem tem quase tudo e quem não tem nada. E essa, é uma bomba relógio que vai explodir nas mãos da Europa, que pouco ou nada tem feito neste campo.

9:42 da tarde  
Blogger Gustavo Almeida said...

É curioso reflectir acerca dos motivos pelos quais foram criadas as comunidades que acabaram por originar a actual União Europeia.

Provavelmente todos saberão que foi através da célebre Declaração Schuman (“A paz mundial não poderá ser salvaguardada sem esforços criativos à altura dos perigos que a ameaçam. (…) O contributo que uma Europa viva e organizada pode dar à civilização é indispensável para a manutenção de relações pacíficas. Ao assumir-se há mais de 20 anos como defensora de uma Europa unida, a França teve sempre por objectivo essencial servir a paz. A Europa não foi construída, tivemos que enfrentar a guerra. (…) Europa não se fará de uma só vez, nem numa construção de conjunto: far-se-á por meio de realizações concretas que criem primeiro uma solidariedade de facto. A união das nações europeias exige que seja eliminada a secular oposição entre a França e a Alemanha: a acção deve envolver principalmente estes dois países”...) que se demonstrou que, apenas unindo vencedores (destroçados e cansados) com os derrotados (perplexos por tudo o que tinham feito e ao que tinham chegado, ainda mais destroçados e depressivamente castigados) se poderia reerguer das cinzas esta Europa devastada.

Foi através desse compromisso entre França e Alemanha (dividida e sem o seu Jus Bellum) que se pôde ajudar a Europa a olhar para si, a compreender a palavra solidariedade e compromisso entre Estados, e a sair do inferno a que tinha chegado.

Cabe, hoje, a todos os lideres europeus, relembrar as razões e o sentido que verdadeiramente faz a existência de uma União Europeia.

Não acreditamos numa Federação Europeia, pois isso implicaria a abdicação de muitas «cousas» próprias de cada nação, mas acreditamos numa União de Estados soberanos que comungam de desideratos comuns e necessariamente convergentes, passando, nomeadamente, pelo seu posicionamento a nível mundial enquanto continente (velho de séculos) onde impera (pelo menos deveria imperar) o bom senso e o exemplo de justiça distributiva e de desenvolvimento sustentável e justo.

Esperamos, calmamente, que os líderes europeus tenham o background suficiente para construir, da melhor forma, o nosso futuro de Europeus.

Demore o tempo que tiver de demorar...

11:51 da tarde  
Blogger Menina_marota said...

Oi...

Só para dizer-te que já "inaugurei" o meu Blog novo... espero que gostes.

Um abraço e bom fim de semana ;-)

Menina Marota


O meu outro blog:
http://eternamentemenina.blogs.sapo.pt/

4:45 da manhã  
Blogger Papailoa said...

Hoje foi a primeira coisa que fiz quando liguei o meu PC, procurar o teu Blog. Que artigo interessante e como tu o descreves bem.
Obrigada
Fátima Lopes

9:29 da manhã  

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