sábado, janeiro 14, 2006

Maquiavel

Nicolau Maquiavel é considerado um dos maiores e mais controversos pensadores do Renascimento, nasceu em Florença a 3 de Maio de 1469, e morreu em 20 de Junho de 1527.
Nada se sabe sobre a sua vida, para além de ser filho de um jurista, até 1498, data em que na sequência da expulsão de Savarola que dirigia os destinos da República de Florença, e da fundação de uma segunda república por Soderini, foi convidado para entrar ao serviço da administração da República como secretário do Conselho dos Dez da Guerra, instituição que tratava dos assuntos da guerra e da diplomacia.
Ao serviço da Chancelaria viajou exaustivamente, participando em diversas embaixadas às cortes italianas e europeias, conhecendo diversos dirigentes políticos como Luís XII, o imperador Maximiliano, o Papa Júlio II e César Bórgia que estava estabelecido na Romagna, tornando-se um exímio conhecedor dos mecanismos políticos vigentes na época.
Em 1502 casou com Marietta Corsini, de quem teve quatro filhos e duas filhas.
Em 1504 inspirado nas suas leituras sobre a História Romana, apresentou um plano para reorganizar as forças militares de Florença, que foi aceite, e em 1509, obtém um enorme êxito ao dirigir um pequeno exército miliciano de Florença numa operação de socorro a Pisa.
Em Agosto de 1512, devido à invasão espanhola do território da república, a população depôs Soderini e voltou a reeleger os Médicis. Maquiavel foi demitido em 7 de Novembro do mesmo ano, devido à sua ligação ao governo republicano, retirando-se da vida pública.
Em 1513, suspeito de envolvimento numa conspiração contra o novo governo, foi preso e torturado.
Tirando algumas nomeações para postos temporários e sem importância, passou a dedicar-se à escrita em Sam Casciano, perto de Florença.
Em Maio de 1527, com nova expulsão dos Médicis de Florença, tentou recuperar o seu ligar na Chancelaria, mas foi-lhe recusado devido à reputação que O Príncipe já lhe tinha granjeado. Pouco tempo depois morreu, imediatamente a seguir ao saque de Roma.
Durante os séculos XVI e XVII, o seu nome foi o sinónimo de crueldade, em especial na Inglaterra, onde utilizavam o diminutivo Nick para evocar o diabo.
A vida de Maquiavel decorreu durante o período de maior esplendor de Florença, mas também o mais marcado pela instabilidade política, pela guerra, pela intriga entre os estados italianos, incluindo os Estados da Igreja.
É no exílio na sua propriedade de Sam Casciano que escreveu as suas principais obras. Os discursos sobre a primeira década de Tito Lívio, O Príncipe e a História de Florença.
Maquiavel foi o primeiro a conceber a política e os fenómenos sociais, cuja novidade era a separação da política da ética.
Para Maquiavel, a política tinha um único fim: conquistar e manter o poder. Tudo o resto, a religião e a moral, que era associado à política nada tinha a ver com este aspecto fundamental. No seu pensamento o que verdadeiramente interessa para a conquista do poder é ser calculista; saber o que fazer, o que dizer e como actuar em cada situação.
Fundamentando-se neste princípio, descreveu no O Príncipe única e simplesmente os meios a utilizar pelos indivíduos que procuram conquistar e manter o poder. Afirmava que todo o julgamento moral deve ser secundário na conquista, consolidação e manutenção do poder.
A feitura deste livro tinha como objectivo bajular os Médicis, na esperança que lhe atribuíssem uma colocação de destaque.

Alguns enxertos de O Príncipe

“Deve saber-se que há dois modos de vencer um com as leis, outro com a força: o primeiro é próprio dos homens, o segundo dos animais; mas porque muitas vezes o primeiro não basta, convém recorrer ao segundo”

“Todos concordam que é muito louvável um príncipe respeitar a sua palavra e viver com integridade, sem astúcias nem embustes. Contudo, a experiência do nosso tempo mostra-nos que se tornaram grandes príncipes, os que não, ligaram muita importância à fé dada e que souberam cativar, pela manha, o espírito dos homens e, no fim, ultrapassar aqueles que se basearam na lealdade.”

“Por conseguinte, não é necessário que um príncipe possua todas as qualidades mencionadas, mas convêm que aparente tê-las. Atrever-me-ia a dizer antes que, tê-las e observá-las sempre, é prejudicial e que aparentar tê-las é inútil: como parecer piedoso, fiel, humano, integro, religioso, etc., mas ter sempre o ânimo preparado para, na altura que convenha, tu poderes e saberes fazer o contrário.”

“Deve-se ter-se presente que um príncipe, e sobretudo um príncipe novo, não pode observar todas aquelas coisas pelas quais os homens têm fama de bons, tendo mesmo necessidade, para manter o Estado, de proceder contra a fé, contra a caridade, contra a humanidade, contra a religião. É preciso mesmo que tenha ânimo disposto a mudar segundo o que lhe mandem os ventos e as variações da fortuna e, como acima disse, não se separar do bem podendo fazê-lo, mas saber entrar no mal se for necessário.”

Esta cartilha do ditador, ainda hoje é lida e seguida por muita gente. Não olhar aos meios para alcançar os fins pretendidos.

14 Comments:

Blogger contradicoes said...

Por isso meu caro Augusto nós somos maquiavélicamente lixados há muito tempo. Com um abraço do Raul

9:36 da tarde  
Blogger relampago said...

...MAQUIVELICAMENTE atempado este Post...:)
b.e.i.j.o.

2:08 da tarde  
Blogger Peter said...

Meu caro Augusto, li o seu post sobre Maquiavel, aliás o 2ª blog em que lhe fazem referência. Deve ser por causa do assunto das "escutas telefónicas".
Queria dizer-lhe que colocou o seu coment no meu artigo "Uma não-escrita" e não no publicado pelo "letrasaoacaso":
"Choque tecnológico ou a devassa da vida privada?", como deveria ter sido sua intenção.

Abraço

2:41 da tarde  
Blogger Å®t_Øf_£övë said...

Augusto,
Infelizmente o nosso mundo está cheio de "maquiavelicos", que só procuram "conquistar e manter o poder".
Frase sábia, e completamente actual, principalmente nesta época de eleições onde andamos mais atentos a este tipo de coisas.
Abraço.

8:16 da tarde  
Blogger martelo said...

Caro Augusto,

é com base nestes pressupostos que ainda hoje muitos funcionam... de tal forma que, numa das empresas em que trabalhei o "canalha" não só exibia estes princípios como os pôs em prática...lixando tudo e todos, usando as pessoas como mercadoria.
mas, tudo é finito...

10:43 da tarde  
Blogger lazuli said...

Augusto, juro que também não disse.
Já conteceu mais do que uma vez, e hoje nem é sexta feira 13...:)

1:04 da manhã  
Blogger Fernando B. said...

Tenho-o aqui à mão. Mas não sei quando terei disposição para reler O Príncipe.

Um Abraço,

1:04 da manhã  
Blogger hfm said...

Gosto muito de ler estes teus textos; este particularmente.

11:14 da manhã  
Blogger Mendes Ferreira said...

ola ola olá....como se um piano tocasse devagar uma ode à ternura....:) bom hoje acordei assim....


b.e.i.j.o.

12:31 da tarde  
Blogger Carmem L Vilanova said...

Meu querido amigo!
Teu texto está muito bom, como sempre!
Acredito que haja algo de maquiavélico em cada um de nós, de alguma forma... nao crês?!
Muitos beijos e sorrisos para ti, meu amigo!

1:30 da manhã  
Blogger Carlos Barros said...

talvez por isso sejamos maquiavelicamente governados.
abraço

2:46 da tarde  
Blogger relampago said...

Augusto desculpe-me contrariá-lo, mas já verifiquei todas as cordas do meu piano e juro que não está desafinado....
é uma questão de teclas metaforizadas....:)

b.e.i.j.o.

4:15 da tarde  
Blogger stillforty said...

Quem é o Maquiavel? Conheço tantos...maquivelicamente falando são mais que as mães.

Gostei muito de ler, apesar de já ter lido antes de publicares.

Beijinhos

5:23 da tarde  
Blogger Friedrich said...

Então, não sejamos maquiavélicos no dia doze... Este teu post está como sempre, todos os que colocas são geniais.
Agradeço o teu último comentário, fiquei com o astral levantado.

Abraços e até dia vinte oito!

6:09 da tarde  

Enviar um comentário

<< Home